terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os Melhores do Ano 2014


O ano está acabando e decidi fazer algo que nunca fiz nesses 4 anos de Rock'N'Prosa, listar os melhores do ano. Mas, por onde começar? Não dá para separar categorias. Então, decidi pegar um pouco de tudo: metal e rock nacional e internacional. Incluí tudo no mesmo pacote e eis que vamos montar essa seleção aqui no blog. Espero que gostem.

Para começar esses comentários nada melhor do que um momento histórico. Quando comecei a escutar rock/metal (o que inclui todas as vertentes) o Pink Floyd, uma de minhas bandas favoritas, já havia acabado. Nesse ano, tive a oportunidade de vivenciar um lançamento de um álbum do Pink Floyd, de todas as formas possíveis -- com o anúncio das músicas, a premiere do clipe, os formatos lançados, etc. -- o que aumentou ainda mais o grau de incersão nessa experiência. Instrumental -- chato ou não --, é Pink Floyd, e isso merece respeito. Escutei o álbum Endless River (2014) e gostei. É uma experiência diferente de tudo o que o Pink Floyd proporcionou em sua discografia. Certamente é um álbum para ter na coleção, não só pela qualidade das composições (que, diga-se de passagem, o processo de montagem -- a partir dos fragmentos de gravações do Division Bell (1993) -- ficou coerente, gerando músicas muito boas), mas pelo teor histórico também, por termos uma obra póstuma de Rich Wright.
capa do Endless River (2014).
Ainda na levada do progressivo, o Opeth nos apresentou o Pale Communion (2014) neste ano de 2014. Um dos álbuns mais "prog" de sua discografia, com ausência completa de vocais guturais. A riqueza musical é muito grande no álbum, com poucas partes pesadas, mas muitas partes marcantes, por assim dizer. A faixa-introdutória Eternal Rains Will Come, foi uma das músicas que mais escutei nesse ano, a sequência instrumental é fantástica. Esse álbum recebeu nota 10 na maioria das resenhas realizadas, e só não recebeu aqui no Rock'N'Prosa porque não costumo colocar notas nos álbuns.
capa do Pale Communion (2014).
Pegando o navio para o Brasil, tivemos o lançamento do Noturnall (2014). Uma nova banda formada pelos ex-integrantes do Shaman e Aquiles Priester. Banda pesada, sem amarras -- pelo menos complemamente -- do metal melódico. Composições maduras e marcantes, como Nocturnall Human Side e Hate!, músicas que certamente se tornarão clássicos dessa banda. Eles lançaram um DVD, com o primeiro show, em São Paulo/SP, e estão em turnê pela Europa, depois de fazer uma turnê pelo Brasil. Os desejos do Rock'N'Prosa é que eles cresçam ainda mais, porque presenciei a quantidade e zelo que eles têm com o trabalho. Ficaremos no aguardo de mais um álbum.
capa do LP Noturnall (2014).
Ainda no Brasil, uma banda que vem ganhando muita atenção, principalmente pelo seu profissionalismo é o Project46. O álbum Que Seja Feita a Nossa Vontade (2014) traz uma qualidade em composições muito grande, e melhor, pesadas! É muito difícil fazer música pesada de qualidade, porque normalmente só escutamos um barulho, sem distinguir os instrumentos, e isso não acontece com o Project46. Só tenho uma coisa para dizer: Anotem esse nome. Com certeza, daqui a alguns anos, essa banda será o maior destaque do metal nacional.
capa do Que Seja Feita a Nossa Vontade (2014).

capa do ...In the Dock (2014).
Ainda nessa levada do Project46, trazendo a peteca para o Rio Grande do Norte, tivemos o lançamento do ...In the Dock (2014), pelo Bones in Traction. O excelente EP de estréia deles traz muita diversidade musical, dentro do universo pesado do Pantera, e também é um dos destaques do ano. Eles já devem estar trabalhando no seu próximo álbum e promessas de muita coisa boa vêm por aí, também fiquemos no aguardo.



capa do Blind Rage (2014).
Para encerrar essa lista de melhores do ano, fiquemos com essa banda que já foi grande, encerrou as atividades e decidiu voltar produzindo os melhores álbuns de toda a sua carreira, o Accept. Foram obras atrás de obras, Blood of the Nations (2012), Stalingrad (2012), um melhor do que o outro, e agora, Blind Rage (2014). Não é segredo para ninguém que o Accept é um dos maiores destaques do metal mundial na atualidade. O Blind Rage (2014) não é o Blood of the Nations (2010) -- o melhor álbum de TODA A CARREIRA do Accept, não tenho medo de admitir isso -- mas, ainda é um excelente álbum e um dos maiores destaques desse ano de 2014. Stampede compete junto com Teutonic Terror e Metal Heart no posto de clássico do banda.



É isso, web-leitores, espero que tenham gostado. Se por acaso esqueci de algum álbum, fiquem à vontade para sugerir aqui nos comentários. Até 2015!!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Dica, Resenha...Escute esse negócio!


Faz muito, muuuuito tempo mesmo que estou devendo esse resenha aqui no blog. Dívida mesmo, sei que não ganhei (nem ganho) nada com o blog, nem cobro por isso. Nunca ganhei um CD de presente para ser resenhado, etc, mas, faço tudo porque gosto mesmo, nunca vou exigir isso de ninguém. 

Ainda era 2011, quando subindo no palco pela primeira vez com o Godhound, enquanto estava nervoso pensando no show, uma banda chamada Dead Pixel estava tocando um grunge no palco do Dosol, em Natal/RN, terminando o show, as figuras descem do palco e dizem: "Botem para descer lá, galera!".

Naquele dia, a banda formada por Rafaum Costa e Thassio Martins -- não lembro se Andola estava na bateria na época -- estava fazendo um show pela primeira vez com o nome de Mad Grinder, fato que eles enalteceram lá no show. Continuei esbarrando com o Mad Grinder nos rock'n'roll's dos domingos em Mossoró/RN, no Carcará, ou nos sábados no Centro Cultural DoSol Mossoró -- o contato com o som da banda foi só aumentando.
Mad Grinder (da esquerda para a direita): Andola Costa, Rafaum Costa e Thassio Martins.
Não sou um grande fã de grunge, nunca fui muito do lado "Nirvana" (fui para o lado "Iron Maiden" na época), mas aprendi a respeitar e melhor, curtir o som do Mad Grinder. A banda pareceu querer ensinar isso quando lançou em 2013 o EP Smoke (2013). O EP traz uma sonoridade "crua", comparado com o que vinha depois -- mas, esqueci de adicionar o "instigante" à descrição --, como a clássica (dêem-me licença para considerar essa música assim, porque realmente o é) Black Sunday. O agudo do refrão é algo que levanta o cabelo do braço, e ao vivo, é melhor ainda do que no CD. Ela é uma música que sempre gosto de escutar, e aponto -- já no primeiro trabalho -- como um dos pontos mais altos da carreira do Mad Grinder. Outro destaque é a sempre presente nos shows, Billy, foi um encerramento para o EP à altura. De todos os trabalhos deles até agora, esse EP foi o que mais escutei, e tenho orgulho de ter minha versão autografada por Rafaum, é algo que guardo na coleção.
capa do Hitting Around (2013), arte de Sabrina Bezerra.
Ainda em 2013, agora mais perto do fim do ano, o Mad Grinder lança outro álbum, agora um álbum de inéditas. Na verdade, o Smoke (2013) foi gravado em 2012, mas só lançado em 2013, as músicas eram mais que conhecidas de todos, que iam aos shows desde 2011. Entretanto, com Hitting Around (2013), o Mad Grinder nos apresentou uma sonoridade diferente, um som amadurecido pelos shows em 2012/2013. A emblemática I'm Fine, outra de minhas favoritas, abre esse novo álbum, continuando com Hitting Around, outra sempre presente nos shows. O riff de Hitting Around fica grudado na sua cabeça e o refrão, onde Thassio e Rafaum cantam juntos, ficou muito bom. Um dos pontos que mais gosto do Mad Grinder, e tento trazer isso para meus projetos também, é a alternância nos vocais. Thassio possui um vocal mais "Kurt Cobain" e Rafaum tem uma voz mais limpa, mas, que fica rasgada quando preciso. O entrosamento do power trio é indiscutível, o show é bastante centrado, sem lacunas. Continuando no álbum, a sombria Mr. Doom encerra de maneira pesada (está pensando que grunge não tem peso? Estou dizendo isso para mim mesmo). Gostei muito do riff dessa música, com um pouco de notas dissonantes aliadas a um vocal rasgado e agudo. O ponto principal de Hitting Around (2013), para mim, é a complexidade da parte instrumental. O que o antecessor tinha de "cru" -- no sentindo de ser direto ao ponto, gerando músicas fáceis de ouvir -- esse novo tem de complexo. As músicas ganharam meio que um ar "prog", por assim dizer, o que -- na minha opinião -- enriqueceu e muito o som do Mad Grinder.
capa do Cold Tombstone (2014).
Essa riqueza no som foi trazida para o Cold Tombstone (2014), EP lançado em 2014 e trabalho mais recente do Mad Grinder. Devido aos caminhos da vida, acabei perdendo um pouco do contato com toda a cena do rock, isso também é resultado do fechamento do DoSol Mossoró. Depois de todo o ano, acabei tendo contato novamente com eles no Festival DoSol 2014, onde adquiri a minha versão do EP. Logo de cara, percebi um tratamento totalmente diferente da produção, com a introdução de novos efeitos nas músicas, resultado da experiência que eles foram adquirindo -- fizeram até turnê nacional e pela América do Sul nesse período. Tudo isso que falei está retratado em Old Tales, meio que mistura o Mad Grinder "cru" do Smoke (2013), com o moderno "prog" do Hitting Around (2013), foi muito bom o resultado. O EP ainda traz a nova "Black Sunday", a já -- para mim -- clássica, Jr. A primeira vez que escutei ela foi no show do Festival DoSol, e lembro que assim que entrei no carro, saí procurando ela no CD, para escutar novamente (na época não sabia o nome da música). A música traz uma introdução poderosa, com um riff marcante, com toda aquela atmosfera grunge (novamente digo, não tenho autoridade no assunto, pode ser que esteja comentendo algum deslize). O vocal de Thassio abre a música, começando grave e depois indo para o agudo, enquanto mantém a mesma base -- sou muito fã dessa técnica -- chegando, logo em seguida, no também marcante, refrão. Ela não tem o agudo de Black Sunday, mas o é refrão forte. Novamente digo, é um forte candidato a clássico. O EP ainda traz a quase-acústica Killing my Ghosts, que inclui uns efeitos um pouco distorcidos, gostei do trabalho que foi feito com a bateria, deixando o som bem de fundo, meio que abafado (com volume reduzido). Encerrando esse trabalho, temos a sombria Something More, dizendo que -- com perdão para o trocadilho -- vem mais por aí.

A banda está ainda na ativa e novos trabalhos virão, com certeza. A expectativa é que próximo ano eles lancem um álbum, já que tivemos um EP esse ano -- Rafaum tinha me dito há certo tempo que tentariam manter esse ritmo. Vamos torcer para que continue. O que gosto de ver diversos trabalhos assim é ver o amadurecimento da banda entre um trabalho e outro, isso é o que gera a expectativa por um próximo álbum.

Então, web-leitor, você que chegou até aqui nessa dica misturada com resenha de toda a discografia do Mad Grinder, só me resta dizer: Para de ler e...Escute esse negócio!!


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Resenha de shows: Noturnall (Mossoró/RN - 23/11/14)


Fiquei pensando alguns minutos em uma maneira legal de começar essa resenha, mas não veio nenhuma ideia. Gostaria apenas de dizer: Obrigado. Obrigado por difundirem o metal pelo Brasil -- a todo mundo, não só à banda -- e manter viva a cena. Bandas locais, bandas nacionais, bandas gringas, quem quer que vá a qualquer lugar fazer um show, que faça da melhor maneira possível e com amor. Não importa o dia, a quantidade de público presente, a energia do ambiente deve ser a força motriz, assim a música sobrevive e supera as dificuldades.

Foi com esse espírito que acordei no domingo, um dia um pouco atípico para um show, e fui ainda de manhã lá para a sede do motoclube Carcarás do Asfalto, em Mossoró/RN. Como tinha me comprometido, passaria o dia inteiro à disposição da produção do show -- a Detonação Produções. A Detonação está inclusive completando 13 anos de batalha. Como dizem na Formula 1: "keep pushing!!".

Chegando ao local do show, a estrutura de som estava sendo montada. Não demorou muito para o motorhome personalizado do Noturnall aportar por lá. Depois de conversa rápida com Thiago Bianchi -- diga-se de passagem, o pessoal da banda é extremamente simples. Pessoas excelentes -- os roadies (incluo-me nessa também) começaram a montar o palco. A primeira coisa que pensei foi que apenas os "roadies" trabalhariam (o que na verdade só existia um de fato, que era o do Aquiles), mas não, a própria banda estava fixando o pano de fundo, montando o projetor (para o telão), os amplificadores, tudo.
Ônibus da turnê do Noturnall.
Depois de levar a banda para almoçar (ainda nas minhas tarefas de auxiliar de produção) e conversar muito sobre o Shaman e rumos do Noturnall, eis que é chegada a hora do show. Com um pouco de atraso, às 20:30, a Jack the Joker, de Fortaleza/CE, sobe no palco. P%¨$!# 
Jack the Joker.
O show é daquele que dá vontade de xingar mesmo. Que banda massa!! Eu confesso que fiquei com vontade de ir embora depois do show deles, porque o ingresso já tinha sido pago. Habilidade indiscutível dos músicos. Dinâmica perfeita. A banda existe há 2 anos, mas para mim é como se existisse há 10, dado o grau de entrosamento de todos. É um show para ser visto em outra oportunidade, com certeza.

Após uma hora de show, aproximadamente, eis que o telão começa a transmitir a introdução do show do Noturnall. Aquiles Priester assume seu lugar na bateria, Leo Mancini, Fernando Quesada e Juninho Carelli entram no palco e começam a executar Fake Healers, após entrada de Thiago Bianchi. Não era segredo que as músicas executadas no show seriam todas do debut Noturnall (2014), um excelente álbum, trazendo um som bem maduro e pesado. Durante todo o show o telão ficou exibindo os clipes e algumas animações com o nome do Noturnall, e foi assim que o show continuou com Zombies e a faixa de abertura do álbum, No Turn At All. Destaque para a empolgação de Fernando Quesada, o baixista tem uma presença de palco tremenda e está toda hora animando o show. Outro detalhe é o profissionalismo da banda. Fernando estava falando no almoço da falta de público, o que comentei ser fruto da banda ser nova, o que ele concordou. O show no dia anterior em Fortaleza/CE, não tinha sido dos maiores, e em Mossoró/RN, um público aquém do esperado compareceu. As pessoas não sabem o que perderam -- ou o que estavam perdendo --, infelizmente. Mesmo com um público pequeno -- para esses caras que são acostumados a tocar para grandes públicos -- eles animaram o show, interagiram, foi diferente. Tem muita banda -- teoricamente "menor" -- que fica com raiva e não faz um bom show, por causa da falta de público. Não vejo por esse lado, você tem que tocar com a mesma força e vontade seja para 1 pessoa ou para 10.000. 
Noturnall.
Além das músicas do álbum, o show ainda abriu espaços para covers. Foram executadas Inferno Veil (do último álbum -- teórico -- do Shaman, Origins (2010), ex-banda de boa parte do Noturnall), Cowboys from Hell (dispensa apresentações) e Symphony of Destruction (idem). O show abriu espaço para o Psychoctopus Solo, solo de bateria do Aquiles, que, faço minhas as palavras de Neliton Araújo (Pezão) no show: "Eu quero saber que inventou o solo de bateria? Quero dar uma surra nele! Coisa desnecessária!". Realmente, era o Aquiles, um dos melhores do mundo, mas, prefiro ver ele tocando suas próprias músicas do que "endoidando" em um solo de bateria. Digo o mesmo para solo de guitarra, pulo logo para a próxima faixa.

Dando continuidade ao show, o Noturnall executou Hate!, uma das melhores do álbum e uma das melhores do show -- a sonoridade ficou muito melhor ao vivo -- e encerrou o show com o "quase-clássico" (será clássico pela idade daqui a alguns anos) Nocturnall Human Side. Impressionante a sonoridade dela ao vivo, ganhou uma força a mais, um charme a mais, não sei explicar isso. Foi um encerramento à altura para o show, só faltou o Russel Allen para completar a música.
A bateria do Aquiles Priester, no detalhe.
Após o show, toda a banda atendeu aos fãs, ainda conversei com o Léo sobre meu novo amplificador e os seus equipamentos também, só foi uma pena não ter podido ficar mais porque trabalhava cedo no outro dia. Concluindo, o show foi muito bom, valeu a pena cada hora de trabalho e centavo pago no ingresso. Foi uma pena o público não ter prestigiado o show. A banda e, principalmente, a produção do show (dadas as dificuldades de produzir show de rock) mereciam essa parcela de confiança e reconhecimento.

O que fica de desejo é que o Noturnall continue o seu trabalho -- o Fernando inclusive me disse que eles vão gravar próximo ano já outro álbum -- e cresçam ainda mais. O nível da banda é fantástico, os músicos são excelentes, e a qualidade das músicas (pelo menos até agora) não está deixando a desejar. E para a produção, mesmo com o público pequeno, não vamos desanimar e continuar trazendo shows desse porte para Mossoró/RN, a cena local merece, e todos crescem com isso, não só a produção, mas as próprias bandas locais são afetadas positivamente por shows desse tipo.



Set-list NOTURNALL

1.FAKE HEALERS
2.ZOMBIES
3.NO TURN AT ALL
4.INFERNO VEIL (Shaman cover)
5.MASTER OF DECEPTION
6.SUGAR PILL
7.COWBOYS FROM HELL (Pantera cover)
8.ST. TRIGGER
9.PSYCHOCTOPUS SOLO
10.HATE!
11.SYMPHONY OF DESTRUCTION (Megadeth cover)
12.LAST WISH
13.NOCTURNALL HUMAN SIDE

sábado, 15 de novembro de 2014

Perdão, mas é Pink Floyd


Antes de escutar de fato o álbum Endless River (2014) e mesmo depois de ler inúmeras resenhas, formando minha opinião preconceituosa, decidi fazer essa postagem apenas com o que escutei, de propósito.

O Endless River (2014) é um registro histórico, é Pink Floyd, ponto final.

Eu discordo com todas as análises já realizadas do álbum. Antes mesmo de escutar, eu vejo o Endless River (2014) como um álbum que não pode ser resenhado em hipótese alguma. O seu propósito -- pelo menos essa foi a minha impressão -- nunca foi ser o próximo Dark Side of the Moon (1973).

A primeira e única música que escutei do álbum foi a disponibilizada antes do lançamento, como single, Louder Than Words. Recentemente, quando o álbum foi lançado, o vídeo da música também foi disponibilizado. E que vídeo! A sensibilidade na produção foi tremenda, mostrando a capa do álbum -- que diga-se de passagem, uma das mais lindas da história -- e as cenas do (que aparenta ser) o mar Aral, com o seu "cemitério de navios". A junção vídeo-música é fantástica. Não precisava nem existir um álbum, apenas essa música, para me deixar já satisfeito.
Última aparição ao vivo do Pink Floyd, no Live 8, de 2005.
O Endless River (2014) foi composto com trechos de ensaios da época do Division Bell (1994), até então, último álbum do Pink Floyd, contando com as participações de Nick Mason e Rich Wright na banda. Após a morte de Rich, todos os esforços para reunir novamente a banda acabaram enterrados junto com ele, não existia mais chance do Pink Floyd voltar. Esse pelo menos era o meu sentimento. Foi uma grande surpresa o lançamento desse álbum, confesso, mas o conceito por trás dele é o que está valendo mais para mim. As gravações que não entraram para o Division Bell (1994) foram retrabalhadas, aproveitando boa parte dos trechos originais, e transformadas em novas canções, instrumentais em quase sua totalidade. Apesar de não estar vivo, os dedos de Rich Wright estavam ali naquelas gravações, então, não tinha porque não rotular aquele álbum de "Pink Floyd". E foi o que David Gilmour, juntamente com Nick Mason, decidiu fazer. Novamente digo, não escutei o álbum, e isso aqui não é uma resenha.

O que o Endless River (2014) é para mim é mais que um álbum. Não estou olhando para as músicas nem para o seu conceito, mas para o significado do lançamento. São restos de música? Sim. A qualidade pode não estar tão boa quanto os outros? Creio que sim. Mas, como disse no título, é Pink Floyd, amigo!

O lançamento desse álbum proporciona, como o título diz, navegar em um rio sem fim. Como seria isso? Lançando o álbum, nós, como fãs, nos lembramos que existe uma entidade nesse mundo chamada Pink Floyd, que produziu tanto material interessante durante sua trajetória. Esse álbum alimenta a chama da banda nos nossos corações. Além disso, estou olhando para o lado saudosista agora. Eu só tive contato com a banda por volta de 2010, ou seja, não vivi nenhum lançamento deles. O Endless River (2014) proporcionou não só a mim, mas como a muitas outras pessoas, viverem o dia do lançamento de um álbum do Pink Floyd, seja acompanhando a pré-venda, lendo as primeiras resenhas, escutando pela primeira vez os acordes de uma música nova. Não existe emoção maior de ouvir algo novo, que ainda não estava disponível para os ouvidos comuns. Os fãs mais antigos, que viram o lançamento do Dark Side of the Moon (1973) e Wish You Were Here (1975), e tiveram esse sentimento, compartilharam ele hoje com uma legião ainda maior de fãs em todo o mundo.

Portanto, olhando para o álbum, não consigo ter um sentimento diferente desse. Vou escutar o álbum agora, posso não achar bom, posso achar um grande álbum, não tenho certeza, mas esse sentimento que descrevi não vai mudar. Para mim essa é, e sempre será, a melhor parte do Endless River (2014). É Pink Floyd. Nada mais.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Aquilo que um dia acabou


Às vezes eu sento e fico pensando em parar. É um gesto simples, basta abrir a página e fechar o seu acesso. Mas, eu começo a pensar em tudo o que passei com o blog, em como ele me ajudou a passar o tempo, a externar minha opinião. São nessas horas que tiro esse pensamento "excluidor" da cabeça. O ritmo de atualizações não está bom, mas me esforço para voltar ao máximo a publicar. O Rock'N'Prosa não é minha fonte de renda, e nunca será, porque ele começou e sempre será independente. Meu tempo, atualmente, está dividido entre a produção acadêmica -- no meu emprego como professor (e pesquisador) --, produção literária (na minha nova aventura como escritor) e produção musical (com os álbuns vindouros do Godhound, Rentry e Folie a Deux). Com isso tudo o blog acabou por "pagar" um pouco do preço.

Essa enxurrada de projetos acabam por tirar um pouco da criatividade para novas publicações, e acabou que, no meio da escrita dessa postagem surgiu uma ideia para uma publicação.

Durante essa trajetória do rock'n'roll, muitas bandas começaram, tiveram seu auge e simplesmente surgiram. Uma delas voltei a escutar recentemente, depois de muito tempo.

Uma das primeiras bandas que escutei de rock foi o Nevermore. Na época, por volta do início dos anos 2000 -- estou até soando "velho" ao pensar nisso -- eles tinham tudo para ser os herdeiros do legado do rock. O bastão segurado pelos Metallica's e Iron Maiden's certamente seria do Nevermore, era a minha impressão.
Jeff Loomis, a máquina de riffs do Nevermore.
Warrel Dane e sua voz singular.
Escutei muitas vezes o Dead Heart in a Dead World (2000), faixas como Narcosynthesis imbuíram um peso grande na minha formação rock'n'roll, lugar que não tinha espaço -- para quem começa a escutar. Believe in Nothing, "baladinha" e primeira faixa que escutei deles, até hoje é uma das minhas favoritas. E, o que falar da -- mais nova, para mim -- The Heart Collector? Uma faixa completa, por assim dizer, que dá vontade de cantar alto sempre que escuto.

Seguindo mais no tempo, me vejo com o Enemies of Reality (2003), do grande Dalmo, nas minhas mãos. Aquela capa forte, com aqueles vermes saindo da boca da pessoa. Álbum com a mesma linha do antecessor, trazendo peso em Enemies of Reality e a clássica do DVD da Rock Hard, Who Decides. A balada -- marca registrada dos trabalhos do Nevermore -- Tomorrow Turned Into Yesterday também abrilhanta o trabalho.
capa do Enemies of Reality (2003).
Fechando o ciclo, para mim, infelizmente, porque foi justamente o ponto onde perdi contato com eles, vem o This Godless Endeavour (2005). Capa "dark", como é típico, e faixas pesadas, como também é típico. A rápida Born, lembrando os tempos de Narcosynthesis e a emblemática Final Product, com um dos melhores clipes que já vi até hoje.
capa do This Godless Endeavour (2005).
Olhando para a história do Nevermore, sempre achei esse álbum como uma despedida. Logo após seu lançamento veio o esperado DVD The Year of the Voyager (2008), show em casa de show pequena, muito explosivo e recheado de clássicos. Esse DVD, adquirido recentemente, foi o que motivou a minha volta ao Nevermore, desde 2005 eu não ouvia nada a respeito deles e esse produto -- produto final? -- atiçou essa vontade pelo peso de sua música novamente. Vendo hoje o que aconteceu com a banda. eles lançaram o The Obsidian Conspiracy (2010) antes de encerrar de vez as atividades da banda. O guitarrista Jeff Loomis, responsável pelos grandes riffs da banda, foi a mola mestra no processo, ao decidir deixar a banda.

Felizes de nós que acreditamos na imortalidade da música. As ondas sonoras produzidas não podem ser interrompidas, mesmo hoje sem o Nevermore, podemos parar e escutar sua obra, vivenciando esses grandes clássicos. Assim como Alcione mandou não deixarmos o samba morrer, nós, como fãs de música, não devemos deixar o metal morrer. Vida longa à música.

Para celebrar, fiquem com o clipe de Final Product, do This Godless Endeavour (2005).


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ossos pesados e resistentes


Começando logo com o trocadilho do título, mas é isso que define esse trabalho tema hoje aqui no Rock'N'Prosa. Som pesado, de quebrar qualquer fragmento de matéria, mas capaz de aguentar qualquer tensão que seja aplicada ao som. É nesse clima de destruição que comecei a audição do debut dos mossoroenses do Bones in Traction, ...In the Dock (2014).

Lançado pelo selo Rising Records, que lançou o recém-comentando álbum do Primordium, o debut do Bones in Traction vem firmar a banda no cenário de destruição do rock'n'roll mossoroense. A banda encabeçada pelo grande Vicente Andrade -- amigo e baterista com quem tive o prazer de dividir o palco no Godhound -- conseguiu socar todo o seu ódio em 6 faixas, sendo uma instrumental, e esse trabalho acaba de ser lançado. A pedreira foi produzida por Cássio Zambotto, que trabalhou também com o Monster Coyote -- outra banda mossoroense que prepara mais um álbum, aguardemos.

versão física do ...In the Dock (2014), do Bones in Traction.
A pancada é iniciada logo com o som dos protestos em God Bless, que abre espaço para Grain by Grain. Bateria se destacando em meio aos riffs pesados de guitarra extremamente saturada. Os vocais de Plinio Marcos logo marcam presença, com uma voz lembrando um Max Cavallera barítono. Gostei do refrão da música, trazendo peso -- contrastando com a velocidade da música. Destaque ainda para a ponte cantada em português, um dos pontos altos da música. A quantidade excessiva de solos Kirk Hammet tirou um pouco das magias do riffs, que são muito bons, mas, o conjunto da obra ficou com uma sonoridade boa.

Quase emendada com Grain by Grain está Hell to the King, continuando com os riffs pesados seguidos de vocais marcantes, que ficam martelando na sua cabeça. Destaco mais uma vez o trabalho realizado pela a bateria, fiquei imaginando os álbuns do Rush, enquanto escutava essa música, porque em muitos momentos -- assim como fazemos com Neil Peart -- ficamos prestando atenção à bateria ao invés do resto da música.

Seguido dos sons de protestos vem, na velocidade de um tiro (perdão para o trocadilho), a rápida Rubber Bullet. Riffs rápidos, quase no estilo Death Metal, com bateria marcando sempre no pedal duplo. A música ainda abre espaço para uma parte mais "quebrada", trazendo um ritmo mais lento, só que ainda pesado. Dos solos da música, gostei do solo executado no final, tem uma boa variação harmônica e a mudança de base realmente ficou boa. Achei que foram incluídos solos -- sem querer criticar a composição e já criticando -- em lugares onde não caberia um solo, mas, isso não é aplicado para esse em questão, ficou realmente muito bom.
Bones in Traction.
O EP é encerrado com Depression -- a minha favorita do EP, com o seu refrão apoteótico e que dá vontade de cantar junto sempre que escuto -- e Modern Man. Bases disonantes contrastando com riffs pesados. Achei, musicalmente, a música mais completa do EP, por assim dizer. Muitas variações rítmicas, tanto no instrumental quanto nos vocais. Gosto de escutar uma última música desse jeito, porque aumenta a expectativa para próximos trabalhos, mostra que a banda ainda tem capacidade criativa de continuar produzindo mais músicas pesadas de qualidade.

Então, web-leitores, para vocês que curtem um bom Groovy Metal (ou como queiram rotular o estilo), está mais que recomendado o novo trabalho do Bones in Traction. Rock'N'Prosa recomenda.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Mais imortais do que nunca


Finalmente parei para assistir -- depois de escutar apenas uma vez o 13 (2013) -- o mais recente DVD do Black Sabbath, Live...Gathered in their masses (2013). A minha expectativa não era grande, dada a idade dos mestres do heavy metal, mas acabei por me surpreender.

O principal propósito do show do Black Sabbath é apenas reunir os fãs em torno de um único elemento: a música. A música do  Black Sabbath é a atração principal do show. Não é Tony Iommi, com seus riffs sensacionais; não é Ozzy com seus pulos e baldes de água; não é Geezer Butler com seu drive poderoso no baixo; e nem Tommy Clufetos, substituindo Bill Ward, e roubando a cena na bateria -- fazendo um show a parte. 
capa do DVD/Bluray Live...Gathered in their Masses (2013).
A música parece ter vida própria, ela carrega toda aquela energia gerada desde o Black Sabbath (1970). Não tem como não se arrepiar quando War Pigs começa a soar e o público a cantar, ou quando o sino anuncia Black Sabbath e o Geezer começa N.I.B. A banda destrinxa -- durante 1 hora e 40 minutos -- seus grandes clássicos dos anos 70 (da fase Ozzy), com espaço ainda para Sympton of the Universe, Faries Wear Boots, Children of the Grave e Iron Man. Novamente, músicas com vidas próprias. Basta escutar para sentir a energia. O show ainda abriu espaço para músicas novas, do recém-lançado 13 (2013), primeiro álbum de inéditas da formação clássica do Black Sabbath desde 1979, destaque para as poderosas End of the Beginning e God is Dead?, magistralmente executadas ao vivo.

Assistindo as primeiras imagens do show, esqueci na mesma hora que Bill Ward não estava ali. Tommy conseguiu assumir o seu papel na banda -- como músico convidado -- mas, executou as músicas de um jeito brilhante (e com um pegada forte) que fez todos os fãs do Sabbath pensarem a mesma coisa. Estilo de tocar simples, sem muito "enfeite" (como qualquer baterista tentaria fazer), o que resultou em pegadas marcantes e poderosas para a bateria.

A execução de Geezer e Tony está excelente, como sempre, e o vocal de Ozzy, bem, o mesmo de sempre (para você que me entende). No final do show, a introdução de Sabbath Bloody Sabbath abre espaço para Paranoid, maior clássico do Black Sabbath, por assim dizer.
Black Sabbath ao vivo (da esquerda para a direita): Geezer Butler, Ozzy Osbourne e Tony Iommi.
Enquanto o Black Sabbath deixava o palco, imaginei o tamanho daquela relíquia que tinha ali nas minhas mãos. Esse show será algo que ficará marcado para sempre na história do rock, sem querer puxar o saco. Aquilo não é um show qualquer, é um show da maior lenda do rock'n'roll (ou heavy metal), na turnê de um álbum de inéditas -- é algo para celebrar, com certeza. Se virão mais álbuns? Dificilmente. Mais shows? A mesma coisa, pouco provável, dada a idade dos integrantes.

O que fica para mim, que não pude ir ao show deles no Brasil, é a lembrança daquele período. O período em que um dos maiores expoentes da música voltou à vida e mostrou um pedaço de sua arte (e poder) para todo o mundo, não só para os que viram ao vivo, mas para os que viveram aquele período do ano de 2013, marcado pelo lançamento do álbum e turnê.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Somos todos poetas: A agulha sem a colher


A agulha sem a colher

Penetrando profundamente na veia
Vejo ondas que explicam o inexplicável
Ouço sons que me trazem de volta à vida
Caminho por terras antes desconhecidas

O giro contínuo traz o segredo
Vejo os olhos do arco-íris
Viajo pelas estrelas
Brinco com a loucura

Essa agulha que rasga essa pele
Faz da música um ser imortal
Entre abismos e montanhas
Faz do espírito um gigante

Não tem colher nessa droga
Use sem moderação
Tenha uma overdose de música
Sem medo de morrer
Porque é isso que a alma busca

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Faraós Brutais


Você com certeza já deve ter visto toda a saga da "Múmia" na Temperatura Máxima (ou Sessão da Tarde) e ficou com vontade de ver aquele filme com uma trilha-sonora melhor, não? Não precisa ir mais longe. Existe salvação.

Natal/RN é onde está a pirâmide dos faraós do metal -- o Primordium (perdão para o título, sei que ficou "tosco"). A banda formada por Gerson Lima (vocal), Lux Tenebrae (guitarra), João Felipe Santiago (baixo) e Lucas Praxedes (bateria) está lançando seu primeiro álbum, Todtenbuch (2014), pelo selo Rising Records, do grande Luciano Elias.
capa do Todtenbuch (2014), do Primordium.
A epopéia de 11 músicas começa com uma introdução que leva o nome do álbum, já ambientando os nossos ouvidos para tudo o que vem. Ventos e toda aquela atmosfera "citara", seguido de alguns mantras (obscuros e guturais), introduzem o álbum, que não perde tempo e já adiciona todo o peso em Curse of Imhotep -- riffs rápidos, pesados e vocais guturais (puro death metal). Com pouco tempo de música, já dá vontade de pegar uma espada (simitar, de preferência) e sair matando múmias e espectros de Anubis no deserto do Saara -- no melhor estilo "Retorno da Múmia". O instrumental é rápido e bem trabalhado ao mesmo tempo, alternando partes rápidas com partes mais "melódicas", por assim dizer, com direito a corais ao fundo -- o que torna o ambiente ainda mais egípcio.

O peso continua com Mummified e com a veloz Gates of Re-Stau, com direito a "metrancas" potentes. Apesar de não ser um fã assíduo de death metal, não achei essas músicas "barulhentas", consegui entender todas as passagens, o que achei um ponto positivo do álbum, até então. Riffs claros, até os mais rápidos não ficaram "embolados", como acontece com muitas bandas, os vocais também não deixaram a desejar, resultado de uma boa técnica.

A música nem bem acaba, e os teclados de Legion já começam a soar, em uma breve introdução, para dar prosseguimento com a brutalidade do álbum. Legion foi a música que mais chamou a minha atenção, os riffs são muito bons e a variação rítmica da música também é excelente -- alternando partes velozes, com melódicas e, depois, pesadas. Corais também estão presentes. Musicalmente, foi uma das músicas que mais se destacaram para mim.
Primordium.
Depois de Transcending, trazendo de volta a velocidade do estilo, temos a faixa-interlúdio Khmunu, fazendo uma extensão de Todtenbuch, com direito a ventos egípcios (tem que ser "egípcios") soprando, tambores (fazendo lembrar Overture, do Iced Earth) e até um dedilhado no violão acompanhado de um violino. Tudo isso introduz Glory of Rá, com direito a solos de guitarra do grande Paulo Henrique Dantas (Kataphero -- excelente banda, também recomendo). Os riffs poderosos voltam a marcar presença em Pillars of Eternity, e o álbum é encerrado com as pesadas Negative Confession e Osiris (fiquei imaginando elas ao vivo, acho que soariam bem -- na verdade, o Godhound até tocou junto com o Primordium em um Circuito Cultural da Ribeira, só acabei não tendo como acompanhar o show deles por inteiro).

Como falei, apesar de não ser meu estilo de música favorito, acabei a audição do Todtenbuch (2014) com uma boa impressão. A versão física do álbum também está muito boa, com artes que casam perfeitamente com o estilo de música, ambientando não só seus ouvidos, mas seus olhos, ao ambiente egípcio e de maldições de faraós.

Para quem quiser adquirir o álbum, entre em contato diretamente com o pessoal da banda (através da fanpage -- acesse AQUI) ou através da Rising Records (pelo Facebook -- acesse AQUI). 

Esse lançamento tem o selo Rock'N'Prosa de aprovação. Até a próxima, headbangers, e que 2014 ainda nos traga mais lançamentos assim.

domingo, 10 de agosto de 2014

Ao vivo em Atenas


"Pensem naquelas mulheres de Atenas", dizia Zizi Possi. Mas, ela não deveria estar pensando apenas nelas quando cantou essa música. Pensem também nos fãs de rock'n'roll de Atenas, meus amigos.

Por que exatamente estou falando dessa localidade? A resposta é simples. Se temos grandes álbuns ao vivo gravados no Brasil, por diversos artistas, o mesmo não pode ser dito -- em partes -- sobre a Grécia. Se olharmos por cima, não conseguimos apontar grandes álbuns ao vivo gravados por lá. No Brasil tivemos o DVD Amazônia (2010), do Scorpions, o Rock in Rio (2002) e Rush in Rio (2003), do Iron Maiden e Rush, respectivamente, só para citar alguns.

Mas, nem toda banda se atreveu a ir à Grécia e levar sua "discografia" para lá. Por isso, decidi dedicar essa postagem a essa terra especial, desprezada por alguns.

Em 1999, contra todas as possibilidades, o Iced Earth levou a sua turnê do Something Wicked This Way Comes (1998) até o The Rodon, localizado em Atenas, e não só eles levaram a turnê, como também gravaram o que se tornou -- para mim -- um dos melhores álbuns ao vivo de toda a história do rock, o Alive in Athens (2000). Não bastava estar apenas tocando em Atenas ("live"), a banda precisaria estar viva ("alive") na capital da Grécia. E foi assim, que durante 2 dias, o Iced Earth desfilou seus clássicos para os gregos. Músicas, cantadas fervorosamente por todos, ganharam vida nova na captura dos shows, e tudo isso foi refletido no poder do Alive in Athens (2000).
capa do Alive in Athens (2000).
O Alive in Athens (2000) foi lançado como CD duplo (com o melhor das duas noites de show) nos EUA e no resto do mundo, mas uma versão especial saiu na mesma época -- em edição limitada -- no Brasil. A versão em CD triplo, contendo todo o áudio dos dois dias de show (com exceção de Colors -- que foi lançada posteriormente no Melancholy E.P (2001)) também foi disponível no mercado. Essa versão é uma verdadeira coletânea do Iced Earth, com o que de melhor tínhamos até aquele momento. Ao todo, são 34 faixas de puro heavy metal, com destaque para Watching Over Me, simplesmente, a melhor versão (incluindo até os lançamentos recentes) dela em todos os trabalhos da banda.

A segunda dedicatória ao povo grego veio recentemente. O Scorpions lançou em 2001 o famoso Acoustica (2001), acústico gravado em Lisboa. O sucesso foi tamanho que os fãs passaram a "cobrar" um novo acústico. Eis que, em 2013, o Scorpions MTV Unplugged (2013) foi gravado. E onde foi isso? Exatamente em Atenas.
Scorpions na gravação do seu acústico em Atenas.
Foi a primeira vez que um acústico da MTV era gravado ao ar livre, e os gregos tiveram o privilégio de presenciar esse feito. Diferentemente do Acoustica (2001) -- que deu prioridade às baladas românticas -- o MTV Unplugged (2013) trabalhou as músicas mais "pesadas", dando uma nova roupagem a elas. Clássicos como Blackout, Big City Nights e Speedy's Coming, ganharam novos arranjos e foram adequados ao som "acústico". Os destaques do show ficam por conta de In Trance e When the smoke is going down -- soaram muito bem. Além dos clássicos, tivemos ainda espaço para novas composições, como a "quase-country" Dancing in the Moonlight.

Então, ficam aqui registrados esses dois grandes trabalhos, de duas grandes bandas, que escolheram a Grécia para fazer parte de sua história. E se mais capítulos vierem daqui para frente, esperemos uma energia tão boa quanto a desses trabalhos. Pois, os gregos merecem.

sábado, 10 de maio de 2014

Um acústico sem cara de acústico


Quase todo mundo cresceu com a geração dos Acústicos MTV. Se formos para os EUA, temos os clássicos acústicos do Nirvana e do KISS. Aqui no Brasil, podemos citar o do Gilberto Gil e dos Titãs, para representar todos. Recentemente a MTV voltou a lançar a sua série "Unplugged", com o Scorpions, grande acústico.

Mas, uma geração de acústico que a MTV deixou passar foram os "acústicos pesados". Está bem, acabei de inventar esse nome. Esse estilo de fato não existe. Mas, é justamente sobre ele que vamos falar hoje aqui no Rock'N'Prosa.

Não é fácil uma banda tipicamente pesada transformar seu som em um "acústico", aqui no Brasil o Hangar fez isso muito bem (o que inclusive já foi tema de postagem aqui no blog, clique AQUI). Essa dificuldade acaba por se transformar em uma musicalidade muito grande no respectivo trabalho, dada a imensa habilidade -- e cabeça aberta -- dos músicos do nosso rock'n'roll. Isso foi o que acabou por está representado nos dois últimos trabalhos do Black Label Society: The Songs Remains not the Same (2011) e Unblackened (2013).
capa do Unblackened (2013).
Escutei várias vezes o Songs Remains not the Same (2011), com versões acústicas de músicas do Black  Label Society, como Overlord e Parade of the Dead, além de brilhantes covers, como Junior's Eyes (do Black Sabbath) e Bridge Over Troubled Water (do Simon & Garfunkel). Todas versões mágicas, mas com um tom diferente. Um pouco de solo de guitarra distorcido pode ser escutado em meio aos pianos e violões.

Essa "ousadia" foi o que impulsionou a gravação do Unblackened (2013), novo álbum ao vivo do Black Label Society. Eles decidiram levar o Songs Remains not the Same (2011) para os palcos no dia 6 de março de 2013, em Los Angeles, mas de um jeito diferente, desprendendo-se ainda mais dos violões. O que me surpreendeu logo de cara foi que eles não executaram nenhuma música do acústico de estúdio no show. Ao invés disso, incluíram versões leves de músicas pesadas do Black Label Society, como Stillborn, e músicas já leves da discografia deles, como In This River e Won't Find It Here.

Zakk Wyld, um dos melhores guitarristas em atividade no mundo.
O que gostei também foi da inclusão de músicas do Pride & Glory, projeto do Zakk Wylde "pré-Black Label". Eles abriram o show logo com Losing Your Mind -- uma das minhas favoritas desse projeto -- e ainda executaram Machine Gun Man (outro clássico), Sweet Jesus e Lovin Woman. Todas do Pride & Glory (1994), um álbum que merecia estar na nossa Galeria de Clássicos.

A sonoridade não se assemelha a nada com um acústico MTV, com aquele som seco e meio sem vida. Zakk Wylde é um gênio da música, ele conseguiu dar cara nova às músicas do Black Label Society, só que sem deixá-las mortas. A inclusão de efeitos de guitarra nas músicas deu um charme a mais ao show, não ficou um som "distorcido", mas também não ficou "limpo", se é que me fiz entender bem. Na verdade, não é correto chamar esse trabalho de "acústico", como chamei no título, vamos chamá-lo apenas de "Unblackened".

Resumindo, esse é um item único na discografia do Black Label Society. Um show para quem curte rock'n'roll e acima de tudo, para quem curte música, e não fica esperando guitarras oitavadas em todos os sons. É um item que mostra toda a capacidade musical do Sr. Zakk, e dos músicos do Black Label Society.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Nós também fazemos covers pt. VII


Já faz quase um ano que não dou continuidade à coluna dos "covers" aqui no Rock'N'Prosa. Mas, antes tarde do que nunca, não?

Na verdade, já tinha até esquecido dessa série de postagens, mas ao escutar o novo álbum do Iced Earth, Plagues of Babylon (2014), voltei a me lembrar dela. Ainda estou devendo a resenha do álbum, que diga-se de passagem, é um grande álbum - superior ao Dystopia (2011), na minha opinião.

No final do álbum, o Iced Earth decidiu fazer um cover de um dos maiores hinos do country, Highwayman, do Jimmy Webb.

A música original é cantada pelo supergrupo "The Highwaymen", formado por Willie Nelson, Johhny Cash, Waylon Jennings e Kris Kristofferson. Claro que o Iced Earth manteria a ideia do "supergrupo", então, gravou a sua versão com Russel Allen (Symphony X), Michael Poulsen (Volbeat), Stu Block (Iced Earth) e Jon Schaffer (Iced Earth).

A versão ficou excelente, ficou "metal", mas com um ar "country" por trás. Confira abaixo a versão original de Highwayman:


 

E agora a versão do Iced Earth:
 
 
HIGHWAYMAN
 
Willie Nelson/Michael Poulsen
I was a highwayman
Along the coach roads I did ride
With sword and pistol by my side
Many a young maid lost her baubles to my trade
Many a soldier shed his lifeblood on my blade
The bastards hung me in the spring of twenty-five
But I am still alive

Kris Kristofferson/Russel Allen
I was a sailor
I was born upon the tide
And with the sea I did abide
I sailed a schooner round the Horn to Mexico
I went aloft and furled the mainsail in a blow
And when the yards broke off they said that I got killed
But I am living still

Waylon Jennings/Stu Block
I was a dam builder
Across the river deep and wide
Where steel and water did collide
A place called Boulder on the wild Colorado
I slipped and fell into the wet concrete below
They buried me in that great tomb that knows no sound
But I am still around
I'll always be around, and around and around and around and around...

Johnny Cash/Jon Schaffer
I'll fly a starship
Across the Universe divide
And when I reach the other side
I'll find a place to rest my spirit if I can
Perhaps I may become a highwayman again
Or I may simply be a single drop of rain
But I will remain
And I'll be back again, and again and again and again and again...

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A música deve sobreviver


Nos últimos dias todos vivenciaram episódios ligados ao AC/DC, passando desde a euforia de um possível sucesso do Black Ice (2008), até recentemente o anúncio do fim da banda. O mentor e guitarrista - irmão do Angus - Malcolm Young, devido a problema com álcool, não estava mais conseguindo ter a mesma agilidade na guitarra que tinha antes, nem mesmo para fazer as bases (o que normalmente faz no AC/DC). Com a limitação de um dos criadores da banda, todo o planejamento que vinha sendo feito acabou por se dar por encerrado.

Mas, meus amigos, a música deve sobreviver. Não importa a situação em que você esteja, das dificuldades que apareçam no seu caminho...continue em frente. A luz sempre estará ali.

Com o AC/DC não é diferente, a banda já passou por várias situações que poderiam marcar o fim da banda, mas eles continuaram. Lançaram álbuns ruins, álbuns bons - e álbuns iguais, por assim dizer. Mas, eles sempre estavam ali no palco executando Highway to Hell e Let There Be Rock para os fãs. Digo novamente, a música deve sobreviver.

Devemos sobreviver para cantar mais uma vez Thunderstruck. Devemos sobreviver para pular mais uma vez no final de For Those About to Rock. Devemos sobreviver, web-leitores, para subir nesse trem do rock'n'roll e esquecer o nosso mundo, nem que seja por algumas horas.

Nessa última semana me deparei com uma notícia simples que me trouxe à tona tudo isso. Uma simples postagem no twitter oficial da banda: "O AC/DC vai continuar a fazer música". Nem mais, nem menos. Isso não quer dizer explicitamente uma turnê, mas já é um grande passo para uma banda que estava fechando suas portas. O que fica de desejo para o AC/DC é que continuem a produzir coisas boas e peguem esse "Highway to Hell" para espalhar seu som.

Sobreviveremos a tudo, basta acreditarmos em nossos ideais.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Resenha de shows: Iced Earth (Auckland, Nova Zelândia - 18/03/14)


O Rock'N'Prosa hoje vai atravessar o Oceano Pacífico e desembarcar em Auckland, maior cidade da Nova Zelândia. Viagem muito cansativa, saindo de Mossoró/RN, passando por Fortaleza/CE, Rio de Janeiro/RJ, Santiago (no Chile) e depois de 30 h de viagem, Auckland. O dia foi uma terça-feira, dia ensolarado e não muito frio nas terras Kiwis. O Iced Earth, uma das minhas bandas favoritas, estava excursionando pela Austrália, e pela primeira vez estava fazendo um show na Nova Zelândia. A banda recentemente lançou o Plagues of Babylon (2014), álbum tema da World Plagues Tour, que recentemente passou pelo Brasil também.

O show foi realizado no The Studio, casa de shows de médio porte localizada próxima à Queen Street, principal rua da cidade. Aproximadamente às 18:00, horário local, a equipe Rock'N'Prosa rumou para o local do show para bater um rápido com Jon Schaffer e Luke Appleton, guitarrista (e mentor) e baixista do Iced Earth, respectivamente. O principal assunto foi o que estávamos passando naquela hora, "jet lag". Querendo ou não, são 16 horas de diferença entre os fusos do Brasil e da Nova Zelândia. Luke disse que a principal tática é dormir sempre que possível. Só assim eles conseguem tocar em Auckland e em São Paulo, por exemplo, com a mesma energia.

A banda de power metal Stormforge, de Auckland mesmo, abriu a noite. O repertório foi inteiramente autoral, trazendo as músicas do seu EP Sea of Stone (2014). Show muito bom, a habilidade dos músicos é condizente com aquilo que o estilo exige. O som tem fortes influências do Blind Guardian. Vou esperar pelos próximos trabalhos para ver melhor o direcionamento da banda.
Iced Earth no palco. (foto: Kael Freire)
Sem muitas delongas, após o show de abertura, roadies no palco arrumando os últimos detalhes. E, depois de pouco tempo, começam a soar os primeiros acordes de Plagues of Babylon, faixa-título do mais novo trabalho do Iced Earth, nos auto-falantes. John (Dette, novo baterista do Iced Earth) entra no palco e se arruma na bateria para logo depois Jon, Luke e Troy acompanharem com muito peso. O destaque inicial do show vai para o som. A música Plagues of Babylon ganhou muito mais peso ao vivo, uma grande abertura de fato para o show. Com um pouco de instrumental, Stu logo invade o palco e começa a cantar - e que voz!!

O show segue com Democide, também do Plagues of Babylon (2014) e depois V, do Dystopia (2012). Todas soaram muito bem ao vivo, e naquele ponto, o público já estava curtindo muito o show. Impressionante a energia que eles conseguem transmitir, não tinha sentido isso assistindo aos vídeos dos shows anteriores, disponíveis no YouTube. Depois vieram logo duas pedreiras, If I Could See You - uma das minhas favoritas do novo álbum -, música que o Stu "agradeceu" ao Jon por ter escrito e um clássico do meu primeiro álbum do Iced Earth - o Dark Saga (1996) - The Hunter. Simplesmente incríveis as músicas, peso e melodias perfeitas. A clássica Burning Times, seguida de Red Baron/Blue Max deram continuidade ao show, mas o melhor vinha logo depois.
Jon Schaffer, Stu Block e John Dette. (foto: Kael Freire)
Uma pequena pausa. Fazem muitos anos que acompanho os set-lists dos shows do Iced Earth, uma das minhas bandas favoritas, mas que nunca tínha tido a oportunidade de ver ao vivo. Nessas últimas turnês, a banda tocou de tudo menos essa música que viria. O último registro de Blessed Are You que eu tinha era no Alive in Athens (1999), e mesmo assim, a versão era normal em meio às outras músicas. Mas, não naquela noite. A música ganhou uma atmosfera diferente, um peso a mais. Um ar de nostalgia tomou conta de mim, me lembrando das tardes em casa escutando o Something Wicked This Way Comes (1998) no último volume. Foi a melhor do show. Confesso. Por todos esses elementos. Queria poder transmitir tudo isso aqui nas palavras, mas não é possível.

Após esse momento épico, o show continuou com Vengeance Is Mine e a nova - e também candidata a próximo clássico - Cthulu, do Plagues of Babylon (2014). My Own Savior, que não ganhou a mesma energia que tinha na voz de Matt Barlow, foi a próxima, seguida de - para fazer inveja ao pessoal que foi no show do Brasil - The End?, faixa que encerra a primeira parte conceitual do novo álbum. Para encerrar a primeira parte do show, a minha música favorita do Iced Earth de todos os tempos - confirmada no set por Luke antes do show, em nossa conversa - A Question of Heaven. Ela foi tudo aquilo que eu achei que seria e mais um pouco. Merecidamente risquei ela da "lista de músicas para se ver ao vivo antes de morrer".
Luke Appleton (baixo) e Troy Seele (guitarra). (foto: Kael Freire)
Encerrada a primeira parte do show, a banda deixa o palco e volta para o bis logo executando Dystopia - é, não tivemos The Coming Curse também, para quem estava acompanhando. Watching Over Me, um dos maiores clássicos do Iced Earth, foi executada brilhantemente e o show foi encerrado, como de costume, com o famoso "Iced Motherfuckiiin' Eaaaaarth".

O show veio confirmar o Iced Earth como um dos maiores nomes do heavy metal na atualidade. A forma dos caras está melhor do que nunca. O que fica de torcida é que continuem o trabalho e mantenham a bandeira tremulando.

  
#Set-list do STORMFORGE
 
1.Intro
2.Imolation to Infinity
3.As the Nightsky Burns
4.Death Sings in the Night
5.Sea of Stone


#Set-list do ICED EARTH

1.Plagues of Babylon
2.Democide
3.V
4.If I Could See You Now
5.The Hunter
6.Burning Times
7.Red Baron/Blue Max
8.Blessed Are You
9.Vengeance Is Mine
10.Cthulu
11.My Own Savior
12.The End?
13.A Question Of Heaven
-----
14.Dystopia
15.Wathing Over Me
16.Iced Earth
(Gettysburg: High Water Mark)

terça-feira, 11 de março de 2014

Uma assinatura para o seu som pt. I


Todos os dias vemos na televisão e jornais propagandas de produtos produzidos em série. Promoções, versões, tudo vem aos montes. É um carro novo da Chevrolet, um sorvete novo da Kibon...por aí vai. No mundo da música não é diferente, os instrumentos também são produzidos em série, e quando edições limitadas são lançadas, é claro que o preço aumenta.

Mas, vamos à situação. Você já imaginou que a Ford, por exemplo, montasse um carro com suas especificações (tamanho do banco, volante, etc.) e ainda colocasse o seu nome nele? Bem, deixando os carros de lado, os músicos com maior expressão no mundo são "patrocinados" pelas grandes marcas e acabam por ganhar modelos "signatures". O que é exatamente isso? É exatamente o "carro da Ford", só que aplicado a um instrumento musical. As marcas mudam tamanho do braço, captadores, madeira, pintura da guitarra, etc. Tudo para se adequar ao máximo ao gosto do respectivo guitarrista.

Portanto, hoje, web-leitores, vou fazer uma lista rápida dos modelos "signature" (ou "assinados", como queiram chamar) que mais gosto no mundo do rock'n'roll. Não vou me prolongar muito para não deixar a postagem muito extensa.

Para começar, um modelo Stratocaster da Fender feito sob medida para o mestre do "feeling". O modelo foi oficialmente lançado em 1988 e possui corpo confeccionado em alnus e escala em bordo. Os captadores também foram escolhidos a dedo por Eric Clapton, para manter o seu som "vintage".


Fender Stratocaster Eric Clapton.
Eric Clapton com sua série de amplificadores assinados e guitarra.
Já que comecei com um "bluesman", outra guitarra fantástica é a assinada pelo grande Joe Bonamassa. O modelo produzido pela Gibson é confeccionado em mogno e bordo, resultando em um som "encorpado". A guitarra utiliza um captador Seymour-Duncan também assinado pelo Joe Bonamassa, o que faz dessa guitarra uma peça única no mundo.
Gibson Les Paul Joe Bonamassa series.
Joe Bonamassa, um dos maiores nomes da atualidade do blues rock.
Caminhando agora para o lado mais pesado.Um dos guitarristas mais versáteis da atualidade para mim é o Zakk Wylde. Primeiramente tocando com o Ozzy Osbourne e posteriormente no Pride & Glory e Black Label Society. Não sei se influenciado pelo Randy Rhoads, mas as guitarras com assinatura do Zakk, produzidas pela Gibson, além de trazerem - os tão sonhados - captadores EMG Zakk Wylde, possuem uma pintura bem características em preto e branco. O que acho interessante é que os modelos assinados por ele não vêm com pintura por trás do braço da guitarra (como normalmente as guitarras vêm), isso segundo o próprio Zakk, é porque ele gosta de sentir a madeira do braço, enquanto toca. Como diz o velho ditado: "Tem gosto para tudo.".
Gibson Les Paul Zakk Wylde signature.
Zakk Wylde, durante um show do Black Label Society.
Um modelo bem particular de guitarra é a Sky 7-String, produzida pela Dean Guitars, sob a batuta do Uli Jon Roth, ex-guitarrista do Scorpions. A guitarra de 7 cordas (e diga-se de passagem, Uli foi um dos primeiros guitarristas a usar 7 cordas na guitarra) é produzida em mogno, com o topo de bordo. O formato é bem excêntrico, diferente de todas as outras guitarras que já tinha visto. O modelo ainda inclui uma fonte embutida e ponte móvel (para o mestre do solo não exitar em usar a alavanca).

A fantástica Uli Jon Roth Sky 7-String.
Uli Jon Roth.
Decidi dividir essa postagem em diferentes partes, para não deixar muito longa. Como vocês podem ver, o mundo das guitarras assinadas é bastante extenso. É claro que ficou muita gente de fora, então, enquanto nos preparamos para a segunda parte da postagem, podem se sentir à vontade de sugerir seus modelos favoritos de guitarra assinada.