terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Prosa Rock: Quando o diamante louco parou de brilhar

Desconheço como descrever a grandiosidade do Pink Floyd em poucas palavras. Acontecimentos envolvendo o seu nome já renderam um outro “Prosa Rock” (Estamos cercados por animais?). Esse será focado na pessoa que durante um certo período foi o responsável por levar as composições revolucionárias do Pink Floyd ao mundo, estamos de falando de Syd Barrett. 

Syd Barrett.

Durante os 3 primeiros anos do Pink Floyd, Syd Barrett foi o principal compositor da banda, e é desse período que vem as composições mais psicodélicas, e porque não dizer, originais da banda. É justamente do The Pipper at the Gates of Dawn (1967), que vem os maiores clássicos da era Barrett no Pink Floyd. Particularmente, não o considero o melhor álbum, mas os álbuns seguintes foram perdendo um pouco dessa identidade do início do Pink Floyd. Não estou dizendo que os álbuns seguintes não são bons, o Animals (1977) e o próprio Wish You Were Here (1975) foram um dos melhores álbuns que eu já escutei na vida.

Capa do The Pipper at the Gates of Dawn.

Mas, quando queremos compreender o que é o Pink Floyd não podemos deixar de lado músicas como Astronomy Dominè, e Interstellar Overdrive. Após o lançamento do primeiro álbum o comportamento psicodélico de Barrett fez com que ele começasse a se desligar do Pink Floyd, abrindo o caminho para David Gilmour assumir as guitarras e vocais da banda. Antes do lançamento do segundo álbum, A Saucerful of Secrets (1968), Barrett oficializou a sua saída da banda.

Após a saída de Barrett, Roger Waters assumiu as composições e produziu verdadeiras obras-primas como Dark Side of the Moon (1973), The Wall (1979) e os já citados Animals (1977) e Wish You Were Here (1975). É sobre esse último que gostaria de chamar a atenção.

Apesar de a banda negar um pouco isso, mas o Wish You Were Here (1975) foi escrito inteiro em homenagem a Syd Barrett. O principal motivo da sua saída da banda foi que, segundo Waters, Syd perdeu o brilho que tinha nos olhos quando estava compondo e tocava. A abertura conta justamente isso, Shine on You crazy Diamond (em português: “brilhe em você diamante louco”) é uma das minhas músicas favoritas do Pink Floyd e possui aproximados 30 minutos de duração quando somadas as suas 12 partes. O engraçado sobre essa música é que as suas iniciais foram o nome “SYD”, coincidência? 

Roger Waters conseguiu incluir vários fatos na simples letra dessa música. Além do nome “Syd”, “Shine on” foi a primeira banda que Syd formou, além do uso da figura do diamante para representar o brilho característico nos olhos de Barrett.

Capa do Wish You Were Here.
Um fato inusitado aconteceu durante as gravações do álbum, em 1975. Enquanto a banda gravava Wish You Were Here, eles viram uma pessoa gorda e com a cabeça e as sobrancelhas raspadas nos fundos do estúdio, no momento não comentaram nada, mas dias depois descobriram que aquela pessoa que estava ali era o próprio Syd Barrett.

Dando seqüência ao álbum as músicas Welcome to the Machine e Have a Cigar falam de como a indústria da música corrompe as pessoas, fato que pode ter acontecido com Syd Barrett. Em seguida, vem a faixa-título do álbum, Wish You Were Here. A letra é um show a parte, acho que conseguiria escrever mais um “Prosa Rock” só falando sobre ela. 

Resumindo em poucas palavras, Waters diz nessa música que queria que Syd estivesse ali com eles, esse fato pode ser somado à idéia da abertura do álbum, porque ele diz: “Se lembra de quando você era jovem? Você brilhou como o sol. Brilhe em você diamante louco”. E no final, em Wish You Were Here (em português: “Desejo que você estivesse aqui”), ele expressa esse sentimento novamente. 

Concluindo, toda a história do Pink Floyd merece ser conferida e já ficam aqui as dicas de álbum para vocês escutarem: The Piper at the Gates of Dawn (1967) e Wish You Were Here (1975). Provavelmente esse será o último “Prosa Rock” de 2010, espero que tenham gostado e até 2011 com mais “Prosa Rock”.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

30 anos sem John Lennon


 Hoje fazem 30 anos desde que, nas palavras de Milton Nascimento, “a força bruta tentou acabar o sonho”. Mas, como disse o grande Milton, “tentou”. Mesmo após 30 anos John Lennon continua a ser lembrado por todos os fãs dos Beatles e não-fãs também.

Observando os fatos nós podemos ver o significado da expressão “entrar para a história”. Eu, particularmente, não era nem nascido quando John Lennon nos deixou e hoje, como fã, estou aqui escrevendo sobre ele. A música nos proporciona isso, porque a música não tem idade. A música é imortal.

O pouco que acompanhei de John foi a sua época nos Beatles, em termos de carreira solo sempre gostei mais de Paul McCartney. Mas, o trabalho de John Lennon merece ser lembrado principalmente pelas mensagens que ele tentou passar ao mundo, tanto nos Beatles como em sua carreira solo.

Que levante a mão quem nunca parou para pensar na vida quando escutou Strawberry Fields Forever, ou quem nunca olhou para os conflitos no mundo e pensou na simples, porém épica, Give Peace A Chance.

São essas mensagens que mais admiro nas composições de John, e essas composições nem o tempo irá destruir. A prova viva é esse mesmo que está escrevendo isso, com 22 anos de idade falando sobre Beatles e John Lennon, bandas que encerraram suas atividades muito antes de eu saber o que era música de fato.

Não vou encerrar essa homenagem com palavras, e sim com o legado que John nos deixou:

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Dica de álbum: Lynyrd Skynyrd – Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd (1973)


Abrindo a seção “dica de álbum” do Rock N’Prosa, um autêntico clássico de uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos, o Lynyrd Skynyrd. Uma banda que possui um álbum desses como o seu álbum de estréia com certeza é uma banda que tem muito futuro pela frente.

A essência do rock sulista americano está representada nesse álbum, de onde vieram os maiores clássicos da banda. O destaque do álbum vai para a grandiosa Tuesday’s Gone e o hino do Lynyrd Skynyrd, Free Bird. Música que apresentou a banda para o mundo. Vale muito a pena conferir esse grande clássico do rock n’roll.

Segue o track-list:

1.    "I Ain't the One" (Gary Rossington, Ronnie Van Zant) – 3:53
2.    "Tuesday's Gone" (Allen Collins, Gary Rossington, Ronnie Van Zant) – 7:32
3.    "Gimme Three Steps" (Allen Collins, Ronnie Van Zant) – 4:30
4.    "Simple Man" (Gary Rossington, Ronnie Van Zant) – 5:57
5.    Things Goin' On" (Gary Rossington, Ronnie Van Zant) – 5:00
6.    "Mississippi Kid" (Al Kooper, Ronnie Van Zant, Bob Burns) – 3:56
7.    "Poison Whiskey" (Ed King, Ronnie Van Zant) – 3:13
8.    "Free Bird" (Allen Collins, Ronnie Van Zant) – 9:06

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sim, sou colecionador: Editor-chefe e criador do Rock N’Prosa, Victor Freire

Para a primeira entrevista da seção “Sim, sou colecionador” a equipe do Rock N’Prosa entrou em cena para entrevistar o criador e editor-chefe do Rock N’Prosa, Victor Freire.

RNP: Primeiramente, Victor, se apresente a todos os nossos leitores.

Victor: Meu nome é Victor Freire, sou engenheiro mecânico e fã de rock n’roll. Há mais ou menos 3 meses criei o Rock N’Prosa para poder ficar escrevendo sobre esse estilo de música que para mim já é um estilo de vida.

RNP: Quando e como você começou a ser um verdadeiro fã de rock n’roll?

Victor: Eu costumo rir quando me lembro do início de tudo. Eu sempre gostei muito de música, já escutei axé, samba, forró, etc. Aí, em um belo domingo, acho que em 2002, quando entrei no meu quarto a televisão estava ligada e mostrando um vídeo de 5 caras com cabelos grandes tocando. Dias depois descobri que aquela banda era o Iron Maiden, e eles estavam tocando Run to the Hills. Gostei muito daquela música, logo comecei a pesquisar mais sobre a banda, e quando fui ver já estava em um caminho sem volta [risos].

RNP: Quando você percebeu que havia deixado de ser um simples fã e se tornado um colecionador?

Victor: Outra coisa que eu sempre gostei, além da música de fato, são os CD’s. Desde pequeno era fascinado por eles, meu pai tinha uma pequena coleção e eu sempre passava horas e horas abrindo os CD’s, as vezes escutando-os um pouco. Quando fui crescendo comecei a comprar alguns CD’s, ainda tenho alguns de Jorge Aragão guardados. Mas, tudo se intensificou mais quando conheci o rock n’roll. Algumas semanas depois que escutei o Iron Maiden pela primeira vez descobri que eles lançaram um álbum ao vivo chamado Rock In Rio, depois de passar o mês juntando o dinheiro da merenda da escola fui em uma loja de discos para procurar esse devido álbum. O trato que fiz comigo mesmo foi: “Só vou comprar o Rock In Rio se tiver Run to the Hills”, aquela primeira música que eu escutei. Quando peguei o álbum duplo, olhei para a última música do CD 2 e lá estava ela. Comprei o álbum, e desde esse dia não parei mais. O engraçado é que alguns anos depois descobri que o Iron Maiden não ia tocar ela no show no Rio de Janeiro, e acabaram decidindo na hora por tocar ela, obra do destino? [risos]. A questão da coleção é algo que eu sempre atentei desde o início. Assim, a idéia é: um item especial é melhor do que um item padrão. E não sei se por golpe do destino, o meu primeiro CD é uma edição limitada do Rock In Rio, que guardo com muito carinho até hoje.
Vista geral da coleção.

RNP: Atualmente, quantos itens fazem parte da sua coleção?

Victor: Minha coleção é um pouco modesta, vou alimentando-a sempre que possível, mas não é sempre que eu posso. Atualmente minha coleção é formada por 109 CD’s e 50 DVD’s entre originais e os poucos bootlegs que tenho. A maioria deles são do Iron Maiden e do Iced Earth, bandas que possuo quase todos os itens oficiais lançados e alguns bootlegs também. Ultimamente comprei alguns álbuns do AC/DC e do Black Sabbath, bandas que eu re-descubro a caca álbum que eu escuto.

RNP: Qual a melhor forma de conseguir itens? Qual dica você daria para os colecionadores que estão começando agora?

Victor: A coleção é constante, ela nunca para. Existem muitas lojas em São Paulo especializadas em rock n’roll, e elas sempre trazem itens bons. A DieHard é uma delas, tive o prazer de visitá-los lá em São Paulo, em 2008, e sempre que posso compro CD’s pelo site deles, muito bom por sinal. Outra boa forma de adquirir itens é através do eBay, sempre aparecem itens bons e raros. Você pode encontrar CD’s também em sebos e em lojas de CD’s usados, as vezes até em lojas como as Lojas Americanas você encontra itens bons. Recentemente encontrei o Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, algo que eu nunca pensei que fosse possível. A idéia é essa, entrar nas lojas e procurar, “se você procura você acha”.
Itens do Iron Maiden.

RNP: Todo colecionador tem aquele item dos sonhos, que ele ainda não conseguiu adquirir, qual seria o seu?

Victor: Existem vários itens que gostaria de ter na minha coleção, sempre que os encontro fico triste por não ter dinheiro para comprá-los, mas um dia conseguirei. Uma das minhas bandas favoritas são os Beatles, e não tenho nada deles. No ano passado a EMI re-lançou todos os álbuns em um box, esse é um item que ainda terei na minha coleção, apesar do preço alto. O Pink Floyd também possui um box com todos os seus álbuns em versão mini-LP, é outro item caro, mas que gostaria muito de ter na minha coleção. Indo agora para os itens mais difíceis de conseguir, o que está no top da minha lista são dois boxes do Iron Maiden: o primeiro é o Eddie’s Archive, um box com shows raros do Iron Maiden que nunca foram lançados anteriormente, como o show histórico em Donnington em 1988; o segundo é o box The First Ten Years, que foi lançado em 1990, e possui todos os singles lançados até aquele ano. Ambos são itens muito difíceis de conseguir, até no eBay é difícil encontrar, e é claro que quando você encontra o preço está muito alto mesmo. 
Itens do Iced Earth.

RNP: Em toda coleção existem itens que você não emprestaria de forma alguma. Quais seus itens favoritos?

Victor: Toda a minha coleção são meus itens favoritos, porque cada um tem uma história por trás. Por mais barato e fácil de conseguir que o CD tenha sido, ele tem um valor sentimental forte, que faz eu tratá-lo com muito carinho e não querer emprestar para ninguém. Mas, olhando por cima, existem dois itens que eu não emprestaria de jeito nenhum. O primeiro é o DVD do Iron Maiden no Rock In Rio, a minha versão é da primeira prensagem ainda, e é uma versão digipak. Gosto muito dele porque é diferente, assim que você abre a caixa um palco com o Iron Maiden tocando se eleva e você sente que tem o show em suas mãos. O outro item é a versão de luxo do Flight 666, um documentário sobre a turnê de 2008 do Iron Maiden. A versão de luxo vem com um livreto de 30 páginas escrito pelo vocalista Bruce Dickinson e ele não foi lançado aqui no Brasil, comprei diretamente da Inglaterra.
Detalhe dos DVD's Rock In Rio e Flight 666.

RNP: De todos os seus itens, existe algum que você considera como raro?

Victor: Tenho poucos itens raros, tenho várias edições especiais e limitadas, mas são todas recentes. Só serão considerados itens raros daqui a uns 20 anos. Mas, dos meus itens atuais posso dizer que o meu DVD do Rock In Rio é raro, você só encontrará ele hoje a venda em lojas de discos usados. Eu tenho também o single Can I Play With Madness, do Iron Maiden, lançado em 1990 quando a banda completou 10 anos, esse posso dizer que é um item que você não encontra em qualquer lugar. Outro item raro que tenho é o Live in São Paulo, do Angra. Eles lançaram 10.000 cópias digipaks desse álbum e tive o prazer de adquirir uma, hoje é muito difícil encontrar essa versão, e além do mais o meu está autografado por Kiko Loureiro.

RNP: Chegamos ao ponto da entrevista onde começamos a falar sobre música. O que você tem escutado ultimamente?

Victor: Ultimamente eu estou muito old-school, só escutando músicas antigas. Estou escutando muito Beatles e Wings, ultimamente. Quando quero relaxar escuto muito Pink Floyd também, quando o dia está mais rock n’roll coloco o AC/DC no último volume.

RNP: No cenário nacional, quais bandas ou álbuns você gostaria de destacar?

Victor: Nesses últimos tempos eu estou dando mais atenção ao cenário nacional da música do que nos anos anteriores, o nosso país possui várias bandas excelentes e a cada dia novas bandas estão surgindo. Gosto muito também de prestigiar o cenário local, sempre que posso vou aos shows de bandas aqui do nosso estado mesmo ou do Nordeste. Aqui no Nordeste têm uma banda que gostaria de destacar: que é o Dark Side, lá de Fortaleza/CE, os caras fazem um heavy metal de muita qualidade, e o show deles é muito bom mesmo. O cenário nacional possui muitas bandas boas como o Angra, o Shaman e o Hangar, só para citar algumas. Mas, uma banda que gostaria de chamar a atenção é o Tuatha de Dannan, de Varginha/MG. Os caras uniram a música folk celta ao heavy metal, o resultado final é muito bom, recentemente adquiri o DVD deles, recomendo a aquisição. Falando de álbuns, o Ritual, do Shaman, foi um dos melhores álbuns que eu já escutei na minha vida, e recentemente o Angra lançou o Aqua, uma verdadeira obra-prima. O nosso país é muito forte no rock, e isso mostra que a nossa diversidade cultural permite que diversos estilos de música sobrevivam no mesmo espaço.
Itens das bandas nacionais.

RNP: De todos os álbuns que você escutou, liste os 5 melhores de todos os tempos.

Victor: Tarefa difícil essa, todos os álbuns do Pink Floyd e dos Beatles mereciam fazer parte dessa lista, mas vou representar cada banda apenas com um álbum, aí vai:
1. Pink Floyd – Animals;
2. The Beatles – Rubber Soul;
3. Iron Maiden – Somewhere in Time;
4. Judas Priest – Painkiller;
5. Black Sabbath – Heaven and Hell.

RNP: Qual álbum você recomendaria para alguém que está começando a escutar rock n’roll neste exato momento?

Victor: O rock n’roll em geral é um estilo muito diversificado, existem vários sub-estilos dentro dele. Mas, para começar eu indicaria o Heaven and Hell, do Black Sabbath. Ele é um disco que consegue traduzir toda a essência do rock n’roll, mas se quiser algo mais “leve” eu recomendo o Pronounced Leh-érd Skin-nérd do Lynyrd Skynyd, que é uma banda de rock sulista americana, muito boa.

RNP: Estamos chegando ao fim da nossa entrevista, para finalizar deixe um recado para todos os leitores do Rock N’Prosa.

Victor: Gostaria de dizer apenas que rock n’roll é vida, seja sempre você mesmo e nunca desista daquilo que você acredita. Porque o nosso país e a nossa região, principalmente, não tolera o rock n’roll, mas estamos resistindo bravamente. Fiquem antenados no Rock N’Prosa, sempre procurarei compartilhar mais conhecimentos sobre o rock com vocês e aprender também.

Essa foi a seção “Sim, sou colecionador” deste mês, espero que tenham gostado e até a próxima.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sim, sou colecionador: A Proposta

Uma vez me disseram que “a coleção” reflete toda a personalidade de uma pessoa. Ser colecionador é valorizar as pequenas coisas, é valorizar um item pela sua história e não pelo seu valor financeiro. Ser colecionador é ter amor pela música.

O que quero fazer com esse quadro do Rock N’Prosa é compartilhar minha coleção com todos os leitores, e encorajar os leitores colecionadores também a compartilharem a sua coleção conosco. Essa idéia eu tirei de um blog que eu gosto muito, que é o Collector's Room. Minha intenção é fazer algo parecido com o que esse blog faz, mas só que numa dimensão menor.

Então, sobre o que será exatamente esse quadro? O Rock N’Prosa irá bater um papo com os colecionadores sobre música, sobre álbuns, etc.  e ao mesmo o colecionador irá nos mostrar seus itens favoritos, seus itens históricos, tudo o que ele desejar.

Gostaria de dizer que não farei nenhum tipo de seleção, por menor que seja a sua coleção ela não será desprezada. Colecionador é colecionador, não importa a quantidade de itens que tenha.

Eu já tenho alguns nomes em mente para convidar para esse quadro, mas quem desejar compartilhar sua coleção conosco pode entrar em contato com o blog para ser entrevistado.

Dentro das próximas semanas estarei acertando os últimos detalhes de como serão as entrevistas, etc.

Aguardem mais novidades em breve.

domingo, 21 de novembro de 2010

Pure Rock: Especial Paul McCartney

 
Tradicionalmente a seção “Pure Rock” é publicada nas segundas, mas devido ao show de Paul McCartney logo o mais em São Paulo decidi abrir uma exceção e homenageá-lo.

O “Pure Rock” de hoje será diferente, não colocarei só os tradicionais vídeos, vou contar um pouco de história também. Enfim, Paul merece tudo isso e mais um pouco.

Então, o que falar sobre Paul McCartney? Ele é um grande ídolo para mim não só pelas músicas que escreveu, mas também por um pouco da semelhança que ele tem comigo: ambos somos canhotos e bem que existem algumas fotos onde ele se parece bastante comigo.

Foram inúmeras as vezes em que recorri às suas músicas para enfrentar diversas situações na vida. Com todo o respeito ao Iron Maiden (minha banda favorita), mas nunca pude usar uma música deles sequer para percorrer meu caminho.

Não tenho muita autoridade para falar sobre Paul McCartney porque li muito pouco sobre ele, e o pouco que sei ao seu respeito foi o que meu amigo Schneider me passou. Aliás, serei eternamente grato a ele por ter me apresentado aos Beatles.

Sem prolongar mais o texto vamos logo às músicas do “velho Macca”.

#1 – The Beatles –  The Long and Winding Road (Let it Be, 1970)
A escolha da primeira música é muito difícil, decidi por essa que é uma das minhas favoritas dos Beatles, principalmente pela sua letra. Muitas são as estradas que temos que percorrer na vida, e de certa forma essa música fala disso. Na verdade, Paul a escreveu falando da estrada para uma casa onde ele passou as férias na Escócia, se não me engano. Mas, observando a estrutura da música podemos observar que não se trata exatamente disso.



#2 – Wings – Band on the Run (Band on the Run, 1973)
Esse é um autêntico clássico. Gosto muito dessa música e é música obrigatória a se escutar quando tratamos de Paul McCartney.




#3 – Wings – My Love (Red Rose Speedway, 1973)
Mais um grande classico do Paul. Essa música foi escrita para a sua eterna musa, Linda McCartney, e esse fato Paul faz questão de lembrar em todos os seus shows. Eu particularmente gosto muito dessa música, e escutar ela sempre me faz sentir bem. Gosto muito da letra também, e se algum dia eu for me casar, ela com certeza será a trilha-sonora do casamento.



#4 – Paul McCartney – Only Mama Knows (Memory Almost Full, 2007)
Conheci essa música recentemente e já virou uma das minhas favoritas da carreira de Paul. O interessante é que ela é de um álbum que o Paul lançou em 2007, além de tudo o que já fez ele está mostrando que ainda tem “muita lenha para queimar”. E que essa chama dure para sempre!



#5 – The Fireman – Sing the Changes (Electric Arguments, 2008)
Para encerrar gostaria de homenagear esse projeto do Paul McCartney, que também só fiquei conhecendo recentemente. Conheci essa música assistindo ao DVD Good Evening New York City, o qual gostaria de recomendar a todos, vale a pena a aquisição. 



Esse foi o "Pure Rock" especial dedicado a Paul McCartney. Eu sei que é difícil resumir uma carreira inteira em 5 músicas, mas mesmo assim espero que tenham gostado. E até a próxima semana com o melhor do rock n'roll!!!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Prosa Rock: Estamos cercados por animais?

Já houve um tempo onde a escuridão dominava tudo ao seu redor, e os humanos eram apenas objetos aos olhos dos mais poderosos, vivendo em um regime de escravidão ainda pior do que no século XVI. 

O ano de 1977 foi o ano em que o mundo tomou conhecimento de uma verdade inconveniente. Foi nessa época que um cidadão chamado Roger Waters decidiu escrever mais uma de suas obras-primas, o Animals.

Capa do Animals.
A trama principal provavelmente foi inspirada no livro A Revolta dos Bichos, de George Orwell. O livro mostra o que aconteceria se os bichos se revoltassem contra os humanos, nessa trama os porcos assumem o comando. O que acaba acontecendo é que os porcos passam a atuar igual aos humanos perante os outros bichos, mostrando de certa forma que o poder corrompe todos. Como acontece com a humanidade.

No álbum, a sociedade foi dividida em animais, cada animal representa uma fonte de dominação dos donos do poder em relação ao resto da população. Mas, o mais interessante é a introdução do álbum.

A simples Pigs on the Wing (part one) abre o Animals, e já abre a obra com uma temática interessante: o positivismo da união entre as pessoas. Waters fala, em resumo: “se você não se importasse com o que acontece comigo, e eu não me importasse com o que acontece com você, viveríamos percorrendo o caminho do aborrecimento e da dor, e observando porcos em vôo”. O que ele quis dizer com essa música é que se duas pessoas se amam, elas podem vencer as barreiras e o controle imposto pelos “animais”.

Isso é algo que nos faz pensar muito, porque de fato a maioria das pessoas seguem seus caminhos sem se preocupar com os outros, o que acaba contribuindo mais para que sejam manipuladas. Essa temática é também tratada na música Us and Them, do Dark Side of the Moon.

Na sequência do álbum vem a épica Dogs. Ela representa todos os empresários que se destroem, e destroem tudo ao seu redor por causa da ambição de ter uma carreira bem sucedida. Os “cachorros” da nossa sociedade sempre procuram derrubar os mais fracos, e principalmente, procuram derrubar aqueles que confiam nele. De todos os “animais”, os “cachorros” são os que mais destroem as vidas das pessoas, e como a música nos diz, ao final de tudo eles se recolhem e morrem sozinhos, porque destruíram todos os seus “amigos”, se é que para eles amizade verdadeira existe de fato.

Em seguida, Roger Waters nos apresenta aos porcos na música Pigs. Os “porcos” estão no topo da sociedade, e são pessoas com riqueza e poder muito elevados. Eles exercem influência no resto da sociedade atiçando as competições internas (na sociedade), fazendo com que eles continuem ricos e poderosos. Ouvindo ao álbum podemos perceber que os “porcos” dominam os “cachorros”.

Terminando o nosso “Reino Animal da Sociedade” temos as “ovelhas”. Pelo que pode ser observado na letra de Sheep, Roger Waters nos diz que as “ovelhas” são todas aquelas pessoas que se deixam ser dominadas culturalmente pelas mídias. Mídias que se encontram, em sua maioria, em poder dos “cachorros” e “porcos”. A letra explora justamente essa idéia de “pastor e ovelhas”, e é a mais impactante do Animals. Ela atinge praticamente quase que a totalidade da nossa população mundial, se formos pensar bem todos somos dominados de uma certa forma pelas mídias. O destaque vai para o encerramento da música, onde Roger Waters fala: “Já sabem da novidade? Os cachorros morreram”. Nesse momento ele meio que pergunta às “ovelhas” o que eles farão agora, quem eles vão seguir? Por quem serão manipulados?

Depois de toda a exposição dos “animais” da nossa sociedade, Roger Waters encerra o álbum da mesma forma que começou. Pigs on the Wing (part two) reforça a mensagem da primeira música do álbum, mas nessa parte Roger Waters meio que se confessa como um “cachorro”. E encerra a música justamente dizendo que, mesmo sendo um “cachorro”, para poder sobreviver no mundo todos “precisam de um abrigo contra os porcos voando”.

As duas partes de Pigs on the Wing, apesar de ignoradas por muitos é a peça central do Animals. Ela nos faz pensar que mesmo com todos os defeitos do mundo, ainda existe esperança nas pessoas em o mundo ser um lugar melhor. Isso fica claro nesse último verso que foi citado anteriormente: “até um ‘cachorro’ necessita de abrigo”. E é com esse pensamento que ficamos quando terminamos de escutar o Animals.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pure Rock: Iron Maiden 30 anos

Segunda-feira é dia de "Pure Rock" aqui no Rock N'Prosa e hoje será dedicado inteiramente ao Iron Maiden, que nesse ano de 2010 completou 30 anos desde o lançamento do seu álbum de estréia Iron Maiden (1980). Resumir 3 décadas de brilhantes trabalhos em cinco músicas é praticamente impossível, mas vou tentar mesmo assim.

#1 - Iron Maiden - Phantom of the Opera (Iron Maiden, 1980)
Uma banda que tem uma música dessas logo no seu primeiro álbum é uma banda que viverá para sempre. Ela está entre as melhores músicas do Iron Maiden, e tive a honra de ver ela sendo executada ao vivo em Recife, em 2009.




#2 - Iron Maiden - Children of the Damned (The Number of the Beast, 1982)
Esse é o álbum mais clássico do Iron Maiden, e essa música é simplesmente perfeita. Não sei o que dizer mais sobre ela.




#3 - Iron Maiden - Wasted Years (Somewhere in Time, 1986)
O Somewhere in Time é o meu álbum favorito deles, e essa música é apenas um dos pontos altos desse álbum.




#4 - Iron Maiden - The Wicker Man (Brave New World, 2000)
O Brave New World é um álbum especial porque marcou a volta de Bruce Dickinson ao Iron Maiden, e essa música é justamente a abertura desse brilhante álbum.




#5 - Iron Maiden - Coming Home (The Final Frontier, 2010)
Encerrando essa lista decidi homenagear o mais novo trabalho do Iron Maiden, o The Final Frontier, com essa música que é, na minha opinião, o ponto mais alto do álbum. O The Final Frontier mostra que mesmo depois de 30 anos o Iron Maiden ainda tem muita lenha para queimar.




Esse foi mais um "Pure Rock", espero que tenham gostado e até próxima semana com mais rock n'roll!!!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Desafio Iron Maiden - The Final Frontier World Tour 2011


Como todos já devem saber, depois de 2 anos o Iron Maiden estará voltando à Recife, agora trazendo a sua Final Frontier World Tour. Enquanto o show não vem o Rock N'Prosa está lançando o desafio "previsão do set-list". 

Como fã do Iron Maiden também vou participar do desafio, o primeiro desafio é a abertura, não consigo imaginar a abertura com Final Frontier, mas em se tratando de Iron Maiden acho que todos podemos esperar isso. Outra coisa é que acho que eles vão executar músicas dos álbuns mais novos. 

Sem mais comentários, vamos ao meu set-list:

1.SATELITE 15...THE FINAL FRONTIER
2.EL DORADO
3.WRATHCHILD
4.THESE COLOURS DON'T RUN
5.2 MINUTES TO MIDNIGHT
6.BLOOD BROTHERS
7.THE TROOPER
8.COMING HOME
9.NO MORE LIES
10.BRAVE NEW WORLD
11.FEAR OF THE DARK
12.THE NUMBER OF THE BEAST
13.IRON MAIDEN
-----
14.WHEN THE WILD WIND BLOWS
15.RUN TO THE HILLS
16.HALLOWED BE THY NAME

Agora é a sua vez, envie o seu set-list comentando essa postagem e participe do desafio. Ao término do desafio, dependendo de como estiver a situação, premiarei quem acertar mais músicas com uma cópia original do Final Frontier.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Rock Rápido: Força de Esquerda

Esse é mais um novo quadro aqui do Rock N'Prosa para quebrar o ritmo das postangens gigantes. O "Rock Rápido" é um quadro mais para interação com os leitores, nele vou postar alguma idéia maluca e os leitores fãs de rock n'roll vão comentar o tópico expondo também suas opiniões.

Então, se me prolongar muito vamos ao "Rock Rápido" dessa semana.

Você já pensou em formar uma banda de rock somente com os canhotos da nossa música? Não é muito difícil fazer uma lista. Para começar, considerando uma banda típica de rock (deixando de lado o vocalista) com 2 guitarras, 1 baixo e 1 bateria posso dizer que minha "banda de esquerda" teria Tony Iommi (Black Sabbath) e Jimi Hendrix nas guitarras. No baixo colocaria Paul McCartney e para a bateria convidaria Scott Colombus (Manowar), por ser o único baterista canhoto que consigo me recordar.

E aí? Você iria a um show desse "dream-team"? Agora é com vocês. Formem suas bandas.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pure Rock: Rock Progressivo

Segunda-feira é dia de "Pure Rock" no Rock N'Prosa, hoje iremos dedicar a coluna a esse estilo que é novo para mim, mas se mostrou como um dos meus favoritos ao longo desses anos. Estamos falando aqui do Rock Progressivo, uma linha do Rock dedicada a um trabalho maior nos arranjos das músicas, gerando verdadeiras obras-primas.

Não vou me ater a somente uma década, como na edição anterior, vou procurar abranger toda a vida do Rock Progressivo, desde seu início aos dias de hoje. Agora, é hora de parar de falar e escutar as músicas, espero que gostem da lista:

#1 - Pink Floyd - Time (Dark Side of the Moon, 1973)
Essa é uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos, e essa música praticamente mudou minha vida. Nada mais justo do que abrir essa lista com ela.




#2 - Rush - 2112 - Overture/The Temples of Syrinx (2112, 1976)
Rush é uma banda que comecei a escutar recentemente, mas já é uma das minhas favoritas.





#3 - Genesis - Land of Confusion (Invisible Touch, 1986)
Como deixar de fora essa banda que praticamente inventou o estilo? Banda clássica do grande Phil Collins, está feita a homenagem já.





#4 - Dream Theater - Pull Me Under (Images and Words, 1992)
Avançando mais na linha do tempo chegamos ao Dream Theater, banda que levou o Rock Progressivo para uma linha mais técnica, se inspirando um pouco no Pink Floyd, mas adicionando mais peso às músicas.





#5 - Porcupine Tree - The Sound of Muzak (In Absentia, 2002)
Para finalizar, representando as novas caras do Rock Progressivo, essa banda que me foi apresentada recentemente. O trabalho deles é muito bom, recomendo a todos escutarem seus álbuns.




Bom, esse foi mais um Pure Rock, levando a magia das diversas escolas do Rock n'Roll para vocês. Espero que tenham gostado e até a próxima semana.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Dica de Livro: The Beatles – A História por trás de todas as canções (Steve Turner)


O Rock em geral possui muitos livros excelentes, vou procurar postar alguns comentários sobre eles à medida que eu for lendo.

The Beatles – A História por trás de todas as canções, de Steve Turner, é um livro para fã dos Beatles nenhum colocar defeito. O autor realizou uma vasta pesquisa e conseguiu fazer uma compilação trazendo muitas curiosidades sobre quase todas as músicas dos Beatles.

O livro foi dividido em ordem cronológica, ou seja, a sua jornada começa no álbum de estréia Please Please Me (1963) e termina no excelente Abbey Road (1969). Passando também por versões raras que nunca foram lançadas na época de suas composições, como o álbum Live at the BBC (1995) e a série Anthology (1994/1995).

Claramente pode ser observada a mudança entre as fases dos Beatles durante a leitura do livro: a fase iê-iê-iê dos primeiros álbuns, a transição com Rubber Soul (1965) e Revolver (1966), e a dedicação total à música nos álbuns seguintes, produzindo obras-primas como The Beatles (1968) e Abbey Road (1969).

The Beatles – A História por trás de todas as canções é leitura obrigatória não só para quem gosta dos Beatles, mas para quem gosta de música também.

A edição nacional do livro é de uma qualidade impecável, é bastante ilustrada e custa entre R$40 e R$50, podendo ser encontrado na maioria das livrarias.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pure Rock: Rock N'Roll anos 70 pt.I

Esse blog foi alvo de reclamações com relação ao imenso tamanho dos textos. Então, para quebrar um pouco o ritmo das postagens gigantes criei o "Pure Rock". Nele vou escolher uma "escola" do rock n'roll e postar 5 músicas para vocês escutarem.

Como é impossível resumir a grandeza do rock n'roll dos anos 70 em 5 músicas, decidi dividir em diversas partes.

Então, sem me prolongar muito, vamos começar com o bom e velho rock n'roll dos anos 70.

#1 - Lynyrd Skynyrd - Sweet Home Alabama (Second Helping, 1974)
Essa é uma das minhas bandas favoritas. É a essencia do rock n'roll sulista americano.



#2 - Rainbow - Long Live Rock and Roll (Long Live Rock and Roll, 1978)
Banda clássica de Richie Blackmore, que depois formou o Deep Purple. O destaque também vai para os vocais do imortal Ronnie James Dio.



#3 - Led Zeppelin - Rock and Roll (Led Zeppelin IV, 1971)
É impossível resumir uma banda como o Led Zeppelin em uma única música, mas já fica a homenagem registrada aqui.



#4 - Blue Oyster Cult - Don't Fear the Reaper (Agents of Fortune, 1976)
Banda excelente, não sei como descrever ela. Escutem a música.



#5 - AC/DC - It's a Long Way to the Top (T.N.T, 1975)
Não poderia deixar o AC/DC de fora dessa lista. Relembrando os tempos do também imortal Bon Scott.



Bom, esse foi o "Pure Rock", espero que tenham gostado. E até a próxima com mais ROCK N'ROLL!!!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Galeria de Clássicos: Black Sabbath - Heaven and Hell (1980)

Black Sabbath - Heaven and Hell (1980)

Bem-vindos a mais um volume da Galeria de Clássicos do Rock N’Prosa. Hoje irei comentar sobre um dos melhores álbuns que eu escutei na minha vida e que tive a honra de comprar recentemente. Estamos falando do maior clássico do Black Sabbath de todos os tempos, o Heaven and Hell.

O Black Sabbath estava passando por um momento difícil, depois do lançamento do Never Say Die, o vocalista Ozzy Osbourne decide deixar a banda e seguir carreira solo, uma despedida muito ruim por sinal. Nesse período, por volta do ano de 1979, Tony Iommi iniciou uma busca desesperada por um novo vocalista.

Depois de testes com diversos vocalistas eis que surgiu uma lenda. Ronnie James Dio assumiu a difícil missão de substituir Ozzy Osbourne nos vocais. Dio já havia cantado no Rainbow, banda que fez com que seu nome se consagrasse no mundo rock n’roll.

Comparar Dio e Ozzy é o mesmo que comparar David Gilmour e Roger Waters (para os fãs do Pink Floyd), ou John Lennon e Paul McCartney (para os fãs dos Beatles). É questão de gosto, eu procuro não distinguir, sou fã dos dois. Tenho álbuns do Ozzy na minha coleção, são muito bons, mas os do Dio não ficam para trás, apesar de não possuir nenhum no momento.

Black Sabbath em 1980: Geezer Butler, Ronnie James Dio, Tony Iommi e Vinnie Appice.

No mesmo ano de 1979 a banda começou a compor o que viria a se tornar o Heaven and Hell. O baixista, Geezer Butler, compôs parte das letras e juntamente com Tony Iommi fizeram a parte instrumental, mas Dio foi quem assumiu realmente as rédeas de escrever as letras para o álbum.

Nesse momento tudo era incerto, porque os fãs mais conservadores da banda não poderiam gostar da nova linha que a banda tomou, e poderia ser difícil conquistar novos fãs, porque a banda já tinha 10 anos de carreira e  a nova geração estava mais interessada em outras bandas, como a inovadora (na época) Iron Maiden.

Mas, no dia 25 de abril de 1980, o mundo viu que ainda existia força dentro do Black Sabbath. O Heaven and Hell foi lançado e não só agradou os antigos fãs, mas também agradou a nova geração de fãs, da chamada “Nova Onda do Heavy Metal Britânico” (do inglês New Wave of British Heavy Metal).

O álbum se inicia logo com a rápida Neon Knights, mostrando logo de cara a proposta do álbum, e mostrando acima de tudo que ainda existia vida no Sabbath. Como a maioria das músicas desse álbum, esse é um dos maiores clássicos da “era Dio”. Confiram ela abaixo:




Logo em seguida, a banda diminui um pouco a velocidade com a excelente Children of the Sea, mostrando toda a técnica vocal de Dio, outro grande clássico. Recentemente, antes do falecimento de Dio, os membros dessa época da banda se uniram e formaram a banda Heaven and Hell, chegaram até a fazer um show aqui no Brasil em 2009. Nos shows, músicas como Neon Knights e Children of the Sea eram quase que obrigatórias, e todos os presentes cantavam fervorosamente. Confira esse grande clássico logo abaixo, extraída do DVD do Heaven and Hell:





Mais um grande clássico logo em seguida, a pesada Lady Evil volta a mostrar a vontade do Sabbath em continuar a sua jornada musical. O que aconteceu é que os últimos álbuns da “fase Ozzy” (Tecnical Ecstasy (1976) e Never Say Die (1978)) não foram muito pesados, foram mais experimentais, diferenciando um pouco do estilo comum do Sabbath.

Agora, todos devem parar um pouco, que vem o maior clássico da história do Black Sabbath, na minha opinião. Muitos vão discordar, dizer que Paranoid é o maior clássico, mas para mim Heaven and Hell sem dúvida é a melhor música e o maior clássico deles. A música que leva o nome do álbum é uma perfeição, o instrumental faz lembrar o estilo dos primeiros álbuns como Black Sabbath (1970) e o próprio Paranoid (1970), com um riff bem cativante e fácil de lembrar. Mas, o que me chama a atenção nessa música é a letra, é algo indescritível, nunca pensei que o Black Sabbath um dia escreveria algo assim, eles meio que fizeram uma análise sobre toda a vida das pessoas. Segue abaixo esse grande clássico e um link para a letra dela também:

Letra: http://letras.terra.com.br/black-sabbath/4263/traducao.html






Continuando com o álbum vem a “ofuscada” Wishing Well, logo adiante eu digo porquê. O que destaco nessa música é a letra também, eles usaram a figura do “poço dos desejos” para falar sobre a vida, diferente de Heaven and Hell, que usou a figura do Céu e do Inferno.

Agora sim, mais um grande clássico da “era Dio”, Die Young. Uma música rápida, mais ou menos na linha de Neon Knights, que se tornou uma das favoritas dos fãs nos shows. Por isso do “ofuscamento” de Wishing Well, entre dois clássicos como esses não tem espaço para ela. Mais uma vez, uma brilhante letra, a mensagem que eles quiseram passar com Die Young foi: “Não espere pelo amanhã, viva a vida!”, geralmente ao vivo, Tony Iommi faz um pequeno solo de guitarra antes dessa música, deixando ela com um charme a mais. Confiram versão ao vivo gravada em um show do Heaven and Hell na Alemanha:





Na sequência do álbum vem Walk Away, uma boa música, mas um pouco abaixo do nível dos grande clássicos desse álbum.

Essa obra prima é encerrada com a “injustiçada” Lonely is the Word. É uma música muito boa, mas foi esquecida por todos os fãs, e pela banda também, ao longo dos anos. Foi uma boa forma de encerrar esse álbum, porque apesar das mensagens positivas de algumas músicas eles sempre acabam voltando para a realidade, e no fundo se todos forem ver essa acaba sendo uma verdade inconveniente.

Bom, esse foi mais um Galeria de Clássicos do Rock N’Prosa, por coincidência escrevi sobre mais um álbum do Black Sabbath, mas o próximo será diferente, quem desejar pode sugerir algum clássico que queira ver na nossa galeria.

Espero que tenham gostado e até a próxima.

domingo, 12 de setembro de 2010

Resenha de Shows: Scorpions (11/09/10 - João Pessoa/PB)

No último sábado (11/08) tive a grande honra de assistir o Scorpions em João Pessoa, justamente na sua turnê de despedida dos palcos depois de 45 anos na estrada. Vou procurar descrever um pouco do que foi a experiência do show e da viagem como um todo também.

Nossa saída, daqui de Natal/RN, estava programada para às 13:30 da tarde. A viagem foi muito divertida, regada a muito rock n’roll e claro, a Scorpions. Aproximadamente às 15:30 chegamos ao estádio Almeidão, em João Pessoa/PB, onde toda a estrutura do Sun Rock Festival foi montada.

Uma enorme fila foi formada ao redor do estádio, e somente às 17:00 os portões foram abertos (estava previsto para a abertura ocorrer às 15:00). Uma vez lá dentro pude ver toda a estrutura que o Sun Rock Festival preparou para receber todos, foi algo para cinema. Minhas únicas queixas são o tamanho da “Pista Premium”, acho que eles exageraram um pouco, e o posicionamento da “mesa de som”, meio que tapando a visão do pessoal da arquibancada. Os telões também deixaram a desejar, os do Mossoró Cidade Junina não ficaram para trás em nenhum quesito.
Foto da estrutura do festival, antes do Scorpions, o público ainda era pequeno.

Críticas à organização a parte, vamos nos focar agora no que foi mais um grande show que eu pude presenciar. Não me pergunte como, mas consegui assistir o show da “Pista Premium” e bem próximo do palco. Palco que foi muito bem estruturado. Além das inúmeras câmeras filmando o show para um possível DVD, o palco também tinha uma passarela que deixava a banda ainda mais próxima do público na “Pista Premium”.

Aproximadamente às 22:00, imagens de um festival onde o Scorpions tocou, em São Petersburgo (se não me engano) nos anos 80, começam a passar no projetor ao fundo do palco. Na mesma hora, o locutor oficial da banda anuncia o famoso: “Ladies and gentleman, children of all ages, please welcome THE SCORPIONS”. Essa foi a deixa para o baterista James Kottak aparecer no palco e iniciar Sting in the Tail, faixa título do mais novo e último álbum do Scorpions, entrando o resto da banda logo em seguida executando a música, para explosão geral dos 25.000 presentes (não sei o público oficial, isso é uma estimativa).
Scorpions, vista da Pista Premium durante Make It Real.

Após esse começo eletrizante, Klaus fala pela primeira vez com o público, dando o “boa noite” (em português mesmo) e logo em seguida, Rudolf vai pela primeira vez para a passarela que eu citei anteriormente e inicia Make It Real, faixa clássica da banda. E clássicos foi o que não faltou nesse show, é claro que faltaram músicas no set-list, mas a banda não pode fazer um show com 10 horas de duração.

Continuando com os clássicos, é a vez de Mathias ir para a frente do palco e iniciar a excelente Bad Boys Running Wild, do álbum Love at First Sting, e quase que sem pausa a banda inicia The Zoo, uma das minhas favoritas do Scorpions. Seguindo em frente, a banda executou o instrumental Coast to Coast, e em  seguida Loving You Sunday Morning. Depois dessa série arrasadora e pesada, Klaus voltou a falar com o público e anunciou a balada The Best Is Yet To Come, do álbum novo. Essa música, apesar de ser nova, foi uma das mais cantadas pelo público no show, a versão ao vivo ficou sensacional.

Minha maior expectativa era ver Wind of Change ao vivo, o que acontece é que em seus shows o Scorpions ou executa ela ou executa Send Me An Angel, outra grande música. Nesse momento, quando acabou The Best Is Yet To Come, os roadies colocaram pedestais na passarela, próximo do público (e de onde eu estava) e Rudolf e Mathias surgiram com seus violões personalizados. E para um pouco da minha desilusão, eles iniciaram Send Me An Angel, dedicada a Ronnie James Dio, fato que aplaudi e fez esquecer um pouco da desilusão de não ver Wind of Change. Mas, a execução foi muito boa, o público correspondeu cantando junto com Klaus.
Rudolf e Mathias na passarela anexa ao palco.

Com o término dessa música, a banda inteira continuou na passarela e iniciou outro grande clássico, Holiday, que também foi cantada por todo o público. Nesse momento, eu já tinha me conformado em não ver Wind of Change, foi aí que para minha total surpresa Klaus anunciou que a próxima música falava sobre o fim da Guerra Fria. Era ela, Wind of Change, me lembro que cantei com todo o fôlego que me restava. Por coincidência ou não, exatamente quando a banda executou o primeiro refrão uma fina chuva começou a cair sobre nós. Como diz o refrão da música “Leve-me na magia do momento, numa noite de glória”, foi exatamente isso que aconteceu nesse momento.

Após esse “sonho realizado”, Klaus perguntou se todos estavam preparados para agitar, e a banda inicia Tease Me Please Me e logo em seguida a rápida Dynamite, do álbum Blackout. Após essas duas “pedreiras”, por assim dizer, a banda deixa o palco, ficando somente James Kottak na bateria, dando início ao seu solo de bateria ou Kottak Attack. Já tinha visto o Kottak Attack em DVD’s e particularmente não gostava nem um pouco, mas o de ontem foi especial. O projetor no fundo do palco ficou passando vídeos de Kottak em vários ambientes diferentes, meio que percorrendo todas as capas dos álbuns do Scorpions, e a cada capa o trecho de uma música do respectivo álbum era executada por ele na bateria. O Kottak Attack percorreu do Love at First Sting até o Humanity Hour I, passando também pelo Crazy World.
James Kottak durante o Kottak Attack.
O destaque foi o final da apresentação, onde as projeções mostraram um Kottak preso a uma cadeira, enquanto um vilão prendia dois eletrodos em seus olhos e ligava uma carga elétrica. Para os fãs do Scorpions ficou claro que aquela era a capa do Blackout, e logo em seguida a banda inteira volta ao palco executando a faixa título desse álbum, destaque para Rudolf, que veio vestido representando a capa do álbum.

Com o término de Blackout é a vez de Mathias ficar no palco e executar o seu solo de guitarra, conhecido também como Six String Sting, executando logo em seguida o grande clássico Big City Nights, cantado fervorosamente por todos os presentes.

Logo em seguida, a banda deixa o palco e volta depois de uma pequena pausa para o bis. E não poderia ser melhor, assim que retornam, Klaus grita: “João Pessoa não existe ninguém igual a vocês”, foi a deixa para a banda iniciar No One Like You, excelente música do álbum Blackout. Depois, Klaus anunciou Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, como convidado e ele entra no palco na mesma hora em que a banda inicia o grande clássico Rock You Like A Hurricane, para brindar o público e encerrar esse show perfeito.
Scorpions, durante No One Like You.

Muita gente saiu um pouco desiludida porque o Scorpions não executou Still Loving You, me disseram que é a mesma coisa de ir a um show do Black Sabbath e não ter Paranoid, tudo bem, concordo, mas saí muito satisfeito do show, eles conseguiram fazer um apanhado geral de toda a sua história e incluí-la no show. Foi um show sensacional e não falei, mas fiquei surpreso com a energia deles, principalmente de Rudolf. Ele é o mais velho da banda, e é o que mais corre e pula durante todo o show.

Bem, essas foram as minhas impressões desse grande show, espero que tenham gostado dessa revisão e que venham mais shows, o Nordeste está mostrando a sua força no cenário nacional e mundial do rock n’roll.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Prosa Rock: Shakespeare in Rock I

Você não leu errado, é isso mesmo, vamos tentar abordar aqui a relação do grande poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare, com o Rock N’Roll.

Esse tópico é tão abrangente que decidi dividi-lo em partes. Essa será a primeira parte dessa série que eu vou tentar escrever. Falei “tentar” porque não sou a melhor pessoa do mundo para falar sobre Shakespeare, acho que só li uma peça dele e só.

O que consegui perceber é que o Rock N’Roll possui uma forte relação com a literatura e em particular com Shakespeare, são inúmeros os álbuns dedicados àlguma obra dele. Gostaria de começar essa série com o mais novo álbum do Angra, Aqua, que tive o prazer de adquirir ainda na primeira prensagem.
Capa do Aqua.

O Aqua, que significa “Água” em latim, foi inteiramente escrito tendo por base “A Tempestade”, apontado por muitos especialistas como a última peça que Shakespeare escreveu sozinho.

“A Tempestade” ocorre da seguinte forma: O mago Prospero, duque de Milão, e sua filha Miranda ficaram presos em uma ilha por 20 anos, depois que o irmão ciumento de Prospero, Antonio, ajudado por Alonso (Rei de Nápoles) o destituiu do cargo e o deixou à deriva no mar. Gonzalo, conselheiro do rei, em segredo carregou o navio com comida, água, roupas e os livros mais valiosos da biblioteca de Prospero.

Na ilha, Prospero é servido pelo espírito Ariel, que foi resgatado por Prospero de uma árvore onde foi aprisionado pela bruxa Sycorax. A bruxa foi banida da ilha e morreu antes da chegada de Prospero. Mas, ela deixou um filho, Caliban, um monstro e único habitante não-espiritual da ilha antes da chegada de Prospero. Ele foi adotado por Prospero, e em troca, o ensinou como sobreviver na ilha, enquanto Miranda ensinava a Caliban sobre religião. Após Caliban tentar estuprar Miranda, ele foi condenado por Prospero a servi-lo como escravo. Na escravidão, Caliban passou a ver Prospero como um usurpador, que passou a ver Caliban com desgosto.
Uma das primeiras versões impressas de "A Tempestade".

A peça abre com o pressagio de Prospero de que seu irmão, Antonio, está em um navio passando perto da ilha. Com isso, ele gerou uma tempestade que faz o navio encalhar na ilha. E assim o Angra inicia a sua obra-prima, com a introdução Viderunt te Aquae (“As águas te viram” em latim) e a veloz Arising Thunder.
Também no navio estavam Alonso (rei de Napoles), seus filhos Sebastian e Ferdinand e o conselheiro de Alonso, Gonzalo. Todos voltando do casamento da filha de Alonso, Claribel. Com seus feitiços, Prospero, fez com que todos os sobreviventes ficassem divididos em pequenos grupos na ilha. Esse trecho é citado em Awake From Darkness, um dos pontos fortes do álbum, relembrando o estilo antigo do Angra.

Nesse momento, a peça se divide em atos. Em um deles, Prospero tenta criar uma relação romântica de Ferdinand com Miranda, que imediatamente se apaixonam. Essa passagem é brilhantemente retratada em Lease of Life, uma das minhas músicas favoritas do álbum e de toda a carreira do Angra, realmente não sei como descrever a melodia dela, tudo está perfeito: os vocais do Edu, o piano, a bateria, os solos, etc. se tiverem oportunidade escutem ela. Mas, voltando à peça, Prospero acaba por obrigar Ferdinand a ser seu servo.

Em seguida, no álbum, vem Rage of the Waters. Uma música veloz, fazendo lembrar o bom e velho estilo do Angra, mas agora com um peso a mais, que eu particularmente não esperava encontrar em algum álbum do Angra. É por causa disso tudo que esse álbum já é um dos meus favoritos de toda a carreira deles, eles ousaram mais nele do que em qualquer outro álbum. Essa música, em especial, acho que ficaria muito boa ao vivo.

Na seqüência do álbum vem a também marcante Spirit of the Air, dedicada exclusivamente ao espírito Ariel. A melodia dessa música é bem variada, alternando entre violões acompanhado de corais e guitarras distorcidas. Considero-a também como um ponto forte do álbum, não sei se ao vivo ela teria o mesmo charme. Destaque para o coro de vozes ao longo de toda a música, ficou sensacional.

Voltando à trama, Prospero manipula o destino de todos os seus inimigos para que cheguem cada vez mais próximo dele. Essa parte ficou a cargo da música Hollow, que é uma música que possui também variações na melodia, mas todas pesadas, alternando entre o veloz e o pesado.

Seguindo no álbum, vem a também marcante A Monster in Her Eyes, dedicada inteiramente à Caliban. Se fossemos considerar que as canções foram escritas pelos personagens, posso dizer que A Monster in Her Eyes foi escrita por Caliban e dedicada à Miranda. Essa é uma das minhas músicas favoritas do álbum, é bem na linha de Spirit of the Air, com variações no ritmo e passagens marcantes. Eu gostei muito da letra também, você pode perceber que ela trata, principalmente, de uma pessoa “diferente” e que foi negada pela sociedade, o que acontece muito no nosso dia-a-dia.

No final da trama, Prospero perdoa Alonso, Antonio e Sebastian pela traição. Ariel ficou encarregado de preparar a embarcação que levaria todos de volta para Nápoles (incluindo Prospero e Miranda), onde Miranda se casaria com Ferdinand. Depois disso, Ariel finalmente foi libertado de sua servidão. Caliban também foi perdoado e Prospero resolveu quebrar e enterrar o seu cajado mágico e se desfez do seu livro mágico.

Esse trecho final é retratado muito bem em Weakness of a Man. A letra deixa claro que Prospero abandonou o seu sentimento de vingança e decidiu perdoar todos. Em termos de melodia, eu a achei um pouco abaixo das demais músicas desse álbum, mas mesmo assim, ela merece o seu lugar nesse grande álbum.

A peça termina com Prospero, sem seus poderes mágicos, convidando toda a platéia para libertá-lo da ilha com o seu aplauso. E o Angra encerra, esse que considero um dos seus melhores trabalhos até hoje, com a música Ashes, tratando justamente do mesmo tema abordado na música anterior, com o arrependimento de Prospero e com o convite para recomeçar a sua vida (pedindo que o libertem). A música é quase toda executada no piano, com muitos corais no fundo, a melodia é realmente muito bonita. Os solos estão perfeitos, se encaixam muito bem na música.
Angra: Ricardo Confessori, Kiko Loureiro, Edu Falschi, Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli.

Da mesma forma que o Angra ousou nesse álbum acho que ousei um pouco também escrevendo uma revisão  de “A Tempestade” e “Aqua” juntos. Gostei desse álbum em todos os aspectos: a parte literária está perfeita, o Angra conseguiu fazer uma revisão completa dessa obra de Shakespeare e musicalmente o álbum é outra perfeição, porque eles meio que abandonaram a idéia de fazer um álbum tecnicamente forte para abraçar a idéia de fazer um álbum musicalmente forte, o que eu assino em baixo, espero que continuem assim.

Essa foi a minha revisão do Aqua, espero que tenham gostado e até o próximo Prosa Rock com “Shakespeare in Rock”.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Prosa Rock: Quando a Física encontrou o Rock

No “Prosa Rock” vou tentar discutir um pouco sobre qualquer assunto relacionado ao rock n’roll que eu consiga pensar. Para inaugurar essa seção decidi homenagear uma banda que fez história e principalmente, um guitarrista o qual admiro muito. Estamos falando aqui do Queen e de Brian May.

Brian May, o curioso é que ele fabrica as próprias guitarras

Brian May é um músico inglês, guitarrista da banda Queen, mas o que muita gente não sabe é que ele é doutor em física e matemática, pelo Imperial College de Londres, onde estudou a luz refletida das poeiras interplanetárias e a velocidade da poeira no plano do Sistema Solar. Mas, aproximadamente em 1973, quando o Queen foi se tornando um sucesso, ele teve que abandonar o seu doutorado. Durante todo esse tempo ele se dedicou ao Queen, mas em 14 de maio de 2008, mais de 30 anos depois de ter abandonado o doutorado, Brian May se graduou no Royal Albert Hall, apresentando sua tese, intitulada “A Survey of Radial Velocities in the Zodiacal Dust Cloud”.

Mas, o motivo principal desse texto é falar sobre algo que aconteceu no ano de 1975. O Queen lançou o álbum A Night at the Opera, apontado por muitos como o seu melhor trabalho. Esse álbum possui uma música chamada ’39, que é uma das músicas do Queen que eu mais gosto. Não vou me prender muito na melodia da música, vocês podem conferir ela no final do texto.

Capa do A Night at the Opera.

O que gostaria de enfatizar é a letra dessa música. Brian May decidiu escrever algo envolvendo a astrofísica, e o fez em ’39. A música trata de uma pequena estória de ficção envolvendo 20 voluntários, que deixam uma Terra quase morta em uma nave espacial em busca de novos mundos para habitar. É exatamente nesse momento que entram em cena os ensinamentos de Einstein e a sua Teoria da Relatividade.

Os voluntários voltam, 100 anos depois no calendário, mas para eles somente 1 ano havia se passado (por causa da dilatação do tempo, resultado da viagem na velocidade de luz). Para entender melhor sobre o que eu estou falando basta ler um pouco sobre a Teoria da Relatividade e os postulados de Einstein, nada muito complicado.

Brian May deixa entender que quando o protagonista da música volta para a Terra, ele encontra sua filha, e consegue ver sua esposa (já falecida) pelos olhos da filha. Todo esse fato de terem se passado 100 anos, reservam o destino triste do protagonista da música, justamente pelo fato de todos os seus amigos terem morrido.

O nome da música não aparece em nenhum momento na letra, o curioso sobre ela é que esse nome surgiu porque ela é exatamente a trigésima – nona composição do Queen, daí o nome ’39.

Confiram agora a letra e vídeo dessa grande música do Queen:




In the year of '39
Assembled here the volunteers
In the days when lands were few.
Here the ship sailed out into the blue and sunny mornin',
The sweetest sight ever seen.
And the night followed day,
And the storytellers say
That the score brave souls inside
For many a lonely day
Sailed across the milky seas
Ne'er looked back, never feared, never cried.

Don't you hear my call
Though you're many years away?
Don't you hear me calling you?
Write your letters in the sand
For the day I take your hand
In the land that our grandchildren knew.

In the year of '39
Came a ship in from the blue,
The volunteers came home that day.
And they bring good news
Of a world so newly born,
Though their hearts so heavily weigh.
For the earth is old and grey
To a new home we'll away,
But my love this cannot be,
For so many years have gone
Though I'm older but a year
Your mother's eyes from your eyes cry to me.

Don't you hear my call
Though you're many years away?
Don't you hear me calling you?
Write your letters in the sand
For the day I'll take your hand
In the land that our grandchildren knew.

Don't you hear my call
Though you're many years away?
Don't you hear me calling you?
All your letters in the sand
Cannot heal me like your hand,
For my life
Still ahead.
Pity me.

domingo, 15 de agosto de 2010

Resenha de Shows: Diogo Guanabara & Macaxeira Jazz (13/08/2010 - Natal/RN)

Capa do álbum "Diogo Guanabara & Macaxeira Jazz tocando Beatles"


Nessa última sexta-feira (13/08) pude comparecer ao show de Diogo Guanabara & Macaxeira Jazz, no Teatro da Cultura Popular, aqui mesmo em Natal/RN. Na ocasião, eles estavam lançando o álbum “Diogo Guanabara & Macaxeira Jazz tocando Beatles”.

Para mim foi uma ocasião muito especial, pois pude ver não só o Macaxeira Jazz, que é uma banda potiguar da qual sempre ouvi falar muito bem, como também um show inteiro só com músicas dos Beatles, uma das minhas bandas favoritas.

Então, a expectativa diante do show era muito grande, e para minha total satisfação, a banda não desapontou. O show foi simplesmente sensacional. Vou procurar descrever um pouco da experiência e também comentar sobre o álbum deles, que fiz questão de comprar.

Exatamente às 20:00 os músicos Diogo Guanabara (Bandolim), Ticiano D’Amore (guitarra), Henrique Pacheco (baixo) e Raphael Bender (bateria e percussão) subiram no palco e assim começou a jornada pelo mundo dos Beatles. A abertura foi com Here Comes the Sun, do álbum Abbey Road. Vendo o nível da execução, e os solos de Diogo no bandolim, deu para perceber o que viria daí para frente.

Logo em seguida, a banda executou praticamente sem pausa, And I Love Her e Strawberry Fields Forever. Esta última foi uma das minhas favoritas de todo o show, o Macaxeira Jazz conseguiu dar um tom nordestino a ela, adicionando elementos do nosso baião à música, realmente ficou muito boa.

O show também foi regado a muito bom humor, destaque para When I’m Sixty Four, que é uma música do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band que possui uma melodia já “bem humorada”, e a banda adicionou mais humor ainda na execução. Estiveram também presentes no set-list: Something, Girl e All You Need is Love. Destaque para a dinâmica dos músicos na execução de Girl, foi sensacional, só vendo (ou escutando no álbum) para perceber.

A banda fez outra homenagem à música nordestina na execução de Blackbird, fazendo uma junção desta com Assum Preto, de Luiz Gonzaga. Impressionante como essas duas músicas, apesar dos nomes parecidos (Blackbird significa “pássaro negro” em inglês), se encaixaram. Também fizeram parte do show Help, e para minha surpresa, For no One, do álbum Revolver. Particularmente gosto muito desta última, mas nunca tinha visto ninguém executá-la ao vivo, por isso foi uma surpresa muito agradável.




Em seguida, eles fizeram novamente a junção de músicas de dois “monstros da música”, mas agora não era mais Luiz Gonzaga e sim Chico Buarque. Da mesma forma que foi com Blackbird e Assum Preto, eles agora executaram Michelle justamente com Fado Tropical. Depois veio a divertida Ob-la-di Ob-la-da, do The Beatles (ou álbum branco), que foi eleita pela BBC como uma das músicas mais chatas de todos os tempos, mas eu por outro lado, gosto muito dela. O show foi encerrado com Day Tripper e Elanor Rigby, que foi emendada com Billie Jean, do Michael Jackson.

A impressão que ficou depois do show foi a melhor possível. Os músicos são sensacionais, conseguiram impor o seu estilo às músicas dos Beatles, resultando em versões únicas para esses grandes clássicos.

Para quem não teve a oportunidade de ir ao show, fica aqui já a dica de CD do Rock N’Prosa. A experiência do show foi totalmente passada para o álbum, a qualidade da gravação ficou muito boa. Recomendo a aquisição, é um item valioso não só para quem é fã dos Beatles, mas para quem aprecia música instrumental de qualidade.